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Meu processo no alistamento militar em Vila Velha

Eu não tinha nenhuma intenção de entrar no exército, já até pensei em um momento da minha vida se valeria a pena entrar na marinha. Ser militar não é para mim, prefiro ser civil. Admiro muito o trabalho das forças armadas, da polícia e profissões ligadas a defesa da população, mas decidi seguir a área acadêmica, tem mais haver comigo. 

Quando tinha 17 anos fui em uma cidade vizinha de Vitória (Vila Velha neste caso) para participar do processo militar. Isso me deixou com muita raiva, pois perderia algumas aulas por causa disso, perdi até uma prova de uma matéria, mas conversei com o professor, ele felizmente entendeu o caso e me deixou fazer em outro momento. E perdi pontos, a professora de técnica de pesquisa em Economia disse que quem não faltasse nenhum dia ganharia um ponto extra, infelizmente não foi contemplado com essa nota. 

Sou a pessoa mais perdida do mundo e não sei pegar ônibus de jeito nenhum. Só sei pegar um ônibus na minha vida. Os outros ônibus consigo pegar para voltar para casa, pois é bem simples. Em Vitória os ônibus só tem dois caminhos para ir para a cidade da Serra, os ônibus que vão beira-mar e os que passam na avenida Fernando Ferrari. Vejo na placa do ônibus se está escrito algum terminal da Serra, se não estiver escrito beira-mar, então é um ônibus que posso pegá-lo. 

Não sou rico, não é por isso que não sei andar de ônibus. Vou em todos os lugares de bicicleta, então não sou muito acostumado a andar de transporte público (até porquê o preço da passagem está muito caro). Estava com muito medo de me perder e perder o horário. No terminal vi um monte de rapazes que aparentavam ter a minha idade, então decidi seguir o fluxo. Consegui chegar a tempo e entrei dentro do quartel. Primeiro eles colocaram a gente para assistir a guarda paraquedista, não lembro ao certo o nome, era alguma coisa paraquedista. Quem se interessasse por esta área, tinha vaga no Rio de Janeiro. Depois desse “vídeo educativo”, nos direcionaram para ficar sentados em um arquibancada. Ficamos mofando lá, até a próxima ordem. Uma coisa péssima é que quase tudo estava com fezes de pombo e lá estava cheio de pombos. Odeio pombos, para mim aquilo estava sendo um terror. 

Depois da espera, muitos foram dispensados logo de cara. Os que estavam mais atrasados na escola foram os primeiros. No grupo que estava tinha uma mulher trans, ela estava com a cara mais infeliz que vi na minha vida. Infelizmente passei para a próxima fase, estava doido para ir para a aula. Depois fomos separados em grupos para passar por uma avaliação física. O soldado (acho que é soldado, não entendo de hierarquia militar) falou que deveríamos tirar a roupa, nesse momento congelei, mas era para ficar de roupa íntima (ainda bem). Olharam para nós e perguntaram se tínhamos alguma doença, só ouvi um monte de reclamações, falaram que tinham bronquite, problema na coluna, gastrite, se bobear até bicho-de-pé. O cara falou para eu virar e ficou olhando para a minha bunda, fiquei meio incomodado com aquela situação. Eu era o tipo o centro das atenções, pois não era tão gordinho ou tão esqueléticos que nem os outros rapazes e o povo ficou olhando para a minha bunda, senti que o cara que pediu para eu virar tinhas outras intenções, ele deu até um suspiro. Fui o único que não relatei nenhum problema de saúde, não tenho nada, e não vou mentir para militares né. Eles sabem dessas “doenças” dos candidatos. 

Depois passamos por um teste de visão, aqueles de criança. Achei meio desnecessário isso. A enfermeira soltou um comentário, que o soldado gostava de cortar rabo novo, aí o cara deu um sorriso safado, nesse momento pinguei suor frio e desejei ir embora o mais rápido o possível. Eles talvez fizeram isso para zoar os candidatos e deixá-los mais tensos, mas nunca se sabe. 

Aí depois ficamos em um corredor estreito e quente mofando mais um bocado de tempo. Agora tínhamos que fazer um teste de habilidades, foi um tipo uns testes de lógica e que gostaríamos de fazer dentro do exército. Não seria uma boa ideia responder esse teste aleatoriamente, pois ia ficar muito na cara a falta de interesse pelo exército. Depois que o tempo terminou, passamos por uma espécie de entrevista e o senhor me perguntou se queria entrar no exército. Disse que não queria ser militar, preferia seguir carreira acadêmica. Como não sou bobo, fui com a camisa da UFES para comover mais.

Depois fomos para a arquibancada que sentamos inicialmente e ficamos mofando mais alguns minutos. Um menino puxou assunto comigo. Ele disse: “Oi Ramon, você é de qual curso da UFES?”. Estranhei muito, ele disse de tal maneira como se fosse grandes amigos de longa data. Falei que era Economia e perguntei o curso dele. Ele disse que estudava engenharia na Multivix de Goiabeiras (perto de onde moro). Perguntei se cálculo estava difícil, ele falou que estava no cálculo básico. Eu fiquei tipo: Como assim? O menino nem tinha ideia como escrevia uma integral. Enfim, fiquei um pouco surpreso, por ele fazer engenharia e estar tão atrás (nós dois estávamos no primeiro período na época). Se tivéssemos nos conhecido em outro lugar creio que teríamos a chance de desenvolver uma amizade, ele parecia legal. 

Parecia que estava para ficar e ser chamado para voltar em outro dia. Um senhor já estava dando a instrução do outro dia, quando alguém chegou perto dele e falou que tinha outra pessoa dispensada. Fui o último a ser liberado. A roupa da universidade me ajudou muito, a tática foi bem sucedida. O soldado que estava na porta não acreditou que fui liberado do serviço militar. Ele olhou para a carteira de dispensa, olhou para mim, olhou para a carteira, olhou para mim de novo. Ele perguntou se eu tinha peixe no exército. Perguntei para ele, como assim se tinha peixe dentro do exército, estava sem entender nada. Aí ele foi claro, disse se conhecia alguém dentro do exército. Falei que não conheço ninguém dentro do exército (realmente não conheço ninguém dentro do exército). Aí ele me liberou sem acreditar que estava dispensado da experiência militar. 

Fui para a UFES com muita fome, nem comi, pois tinha ido correndo na esperança de chegar a tempo de fazer uma prova. Não deu tempo, mas fiz depois. 

Foi essa a minha experiência, não foi tão ruim como pensei. Para o mim o pior ponto foi a quadra cheia de fezes de pombo, não custava nada eliminar os pombos nojentos e limpar as arquibancadas. Boa sorte para quem for prestar o exame de seleção e desejo tudo de bom para os militares. 

Lidando com pessoas ignorantes a nossa volta

Lidar com pessoas ignorantes é algo muito difícil. Não importa o tanto que você fale ou tente mostrar que algo não é certo e que certa direção não é o melhor caminho. A ignorância venda os olhos dos ignorantes. Enxergar novas perspectivas de vida para estas pessoas é uma tarefa muito complicada.

É costume de muita gente reclamar da vida e não tomar uma iniciativa de mudança. Não tem como mudar, se o estilo de vida se mantém inerte. Não adianta ter apenas ambição e sonhos se não se desprender das prisões mentais.

Assistir novelas duas ou três horas por dia não vai mudar a vida de ninguém, apenas se o objetivo for ser colunista de programas que passam na televisão. Este tempo gasto vendo novelas de conteúdo vazio poderia ser usado para fazer algo que realmente mude o destino.

Os ignorantes acham que apenas o seu jeito de enxergar o mundo é o correto, todas as outras pessoas são seres que não são dignos por não seguirem ou acreditarem em algo. Pessoas ignorantes têm o pensamento no estilo “Nasci assim, morri assim”. Acreditam apenas na sua hereditariedade, acham que o conteúdo de fora é desprezível e que não pode ser utilizado na sua vida. Ignoram inovações e amaldiçoam outros estilos de vida.

Os ignorantes não querem sair da sua bolha e não aceitam conheceram os outros lados da mesma história. Como que se vai construir um argumento, não sabendo os vários pontos de vista sobre determinado assunto?

Quando alguém está no sono pesado dentro do quarto da ignorância não adianta gritar, o sono é tão profundo que a pessoa não vai acordar. O melhor é manter o silêncio e ir buscar sabedoria. Não adianta discutir com a ignorância, pois ela nunca vai admitir um erro. Discutir com a ignorância apenas vai deixá-la com raiva, isso pode chegar a um certo ponto que ela pode chegar a querer matar (e matar). O universo no final de tudo possui leis que no final levam de certa forma a justiça. No processo de seleção, os ignorantes vão sendo deixados para trás.

O conhecimento faz com que se conquiste poder. Certos tipos de poderes é uma arma contra a ignorância. O conhecimento também faz surgir nova armas para manter os escravos ignorantes e para a manutenção de determinados poderes ficarem intocáveis. Periodicamente devemos olhar a nossa volta e ver o que traz destruição e o que traz glória. Nossos caminhos deveriam estar direcionados ao sucesso, não ao fracasso.

Devemos nos libertar de tudo aquilo que não acreditamos, não podemos ser escravos e busquemos a verdade por conta própria. Seguir o fluxo da ignorância é muito mais fácil, pois não é penoso e socialmente se torna algo mais confortável.

O ignorante é apenas mais um no mundo, o tempo o encarrega de apagá-lo da história. O sábio com a sua sutileza deixa algum conhecimento e ajuda muitos outros que estão aqui e os que vão vir. Não vale a pena se estressar à toa, cada um tem oportunidades de despertar do senso comum, e isso é uma escolha individual, não tem como forçar.

A romantização das relações familiares

Há um mito em acreditar que todas as famílias têm uma relação saudável. Parte da população não sofre nenhum tipo de violência ou de carência de amor, mas isso não significa que em todos os lares acontece tal fato. Se tivéssemos famílias mais estruturadas, o mundo não estaria do jeito que está.

Parece que há a obrigação da mulher de ser mãe, e que todas as mães fazem tudo por seus filhos. Não existe um manual pronto de como ser mãe e não é todo mundo que está disposto a ter filhos. Muitas das gestações não são planejadas e muitas vezes não se tem condições psicológicas e financeiras de se ter um filho. A presença de uma criança faz com que certos hábitos e costumes sejam mudados, acontece que, não é todo mundo que está disposto a mudar os seus hábitos.

É muito triste ver crianças jogadas na rua, tendo que amadurecer de maneira rápida para enfrentar as diversidades da vida. Imagina quantas crianças passam frio e fome a noite, porque os pais foram na balada com os amigos. A família padrão está longe da realidade de muita gente. No Brasil acontece um fato muito triste, os pais abandonam os filhos, e há uma tentativa de culpar as mulheres pela gravidez. Um filho não se faz com apenas uma pessoa (em uma relação sexual), então a obrigação não deve ser de apenas uma pessoa. Ainda bem que hoje já tem leis e ferramentas que permite que o direito da criança seja respeitado. Existem estas leis, pois se não as tivesse, com certeza muitos irresponsáveis não arcariam com seus compromissos. Ainda bem que a ciência conseguiu desenvolver o teste de DNA, para ter uma certeza de resultados.

Algo que não se paga é o amor. O abandono que vemos em nossa sociedade mostra que não existe amor automático de alguém por seus descendentes. Isso é uma mentira que as pessoas devem parar de acreditar, a vida não é uma novela perfeita onde o mocinho faz de tudo pela mocinha. Não é todas as pessoas que são capazes de amar, pode acontecer dos pais amarem e fazer de tudo por seus filhos e mesmo assim serem abandonados em algum momento da vida.

O lar é a primeira etapa da sociedade, nele que se pode ter uma visão de mundo para o resto da vida. A herança é um fruto muito evidente das relações sociais ao longo do tempo. Vemos que no longo prazo como há uma tendência da pobreza e falta de amor ficar maior, por outro lado a riqueza e um estilo de vida mais confortável pertencer no cotidiano de menos gente.

Um conceito que acredito que é errado: Fazer de tudo pela família. Não devemos fazer de tudo pela nossa família, devemos primeiro priorizar quem nos ama. É natural pensar que quem nos ama é a nossa família, mas isso não pode acontecer em todos os casos. Para que sacrificar tempo, dinheiro e saúde com pessoas que não tem afeto com você?

Não sou produto de vitrine – Mercantilização da Socialização

A solidão criou negócios milionários. Infelizmente estamos transformando tudo em mercadoria. Nossos corpos viraram apenas produtos e nossa convivência em sociedade também. 

Hoje existe vários aplicativos de encontro, onde você avalia e é avaliado por umas fotos e por um texto. No mundo real, há a possibilidade de pagar profissionais do sexo, alugar um amigo e sair em um encontro com uma pessoa que apenas está oferecendo um serviço do tipo. Cada vez mais cedo se sente a pressão de ser bonito e bem sucedido. 

Este tipo de movimento que a sociedade está indo, está deixando várias pessoas com baixa auto-estima. Há uma busca pela beleza por todo o custo. E tem gente que fica paranóica por popularidade e aprovação nas redes sociais. Estamos em uma sociedade onde a exposição da vida pessoal está muito exagera e onde se perdeu muito o pudor e o bom senso. 

Cada vez mais o mercado se cirurgias plásticas e de cosméticos crescem, pois o processo de envelhecer e parecer feio é aterrorizante. Sinceramente não estou fora desse processo, como um ser social, busco meu espaço no mundo em meio as outras pessoas. Mas tendo evitar ter a mente invadida por comentários negativos que podem me deixar triste. Devemos encontrar um ponto de equilíbrio, senão ficamos depressivos ou loucos. Tento me enxergar pelas minhas qualidades e no que posso fazer. A personalidade que deve contar mais, não há preço que se pague para fazer o bem e ser simpático com os outros. Não somos produtos de vitrine, somos seres humanos com sentimentos e emoções. 

Artigos que mostram como este problema de imagem está ficando algo muito grave:

Pressão para ser bonita: Estudo revela preocupação já em meninas pequenas

Ensaios com sul-coreanas após plásticas expõe pressão por beleza “ocidental”

Mulheres japonesas solteiras estão comprando a experiência de ter um namorado: