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Como fui excluído socialmente por causa do futebol

No Brasil, saber e gostar de futebol é algo muito importante socialmente (principalmente para os homens). Eu nunca gostei de futebol e nunca me interessei por este esporte. Acontece que, em muitas amizades o principal assunto é falar sobre campeonatos, times, jogadores e tudo o que envolve estes temas. 

Não sei como está o comportamento das novas gerações, na minha infância não gostar de futebol significava ausência de masculinidade. Infelizmente ainda persiste um preconceito de que as jogadoras de futebol são masculinizadas, e por serem profissionais nesse ramo, não podem ser femininas. Cada um tem um jeito de viver, mas o que prevalece é um estereótipo que não pode corresponder a realidade. 

Toda aula de educação física os meninos ficavam eufóricos para pode jogar bola. Eu na maioria das vezes brincava com a bola de vôlei com as meninas, ou ficava sentado sem fazer nada. Com o passar dos anos, fui ficando mais sentado sem fazer nada mesmo. Aquele momento era um alívio, dá um descanso das aulas. Algumas vezes o professor de educação física realmente nos obrigava a fazer aulas, mas todo mundo não estava nenhum pouco interessado naquilo, então ele sedia. Deixava cada um jogar o que queria. 

Eu era visto como um alienígena ou um ser de um lugar muito distante. No olhar de muita gente, não era normal um garoto não gostar de futebol. Esta cultura está impregnada em todas as classes sociais e não fazer parte disso pode ser desvantajoso.

Dentro da minha família não tive nenhuma referência de alguém que era apaixonado por futebol. Quando era apresentado para uma pessoa nova, em muitas vezes, umas das primeiras perguntas era para que time que eu torcia. Falava que não torcia para nenhum. Muitas vezes a reação era uma cara de espanto. Uma vez estava na cidade da minha avó materna, o nome do lugar é Corinto. Me perguntaram para que time eu torcia. Na hora inventei Corinthians, pois na minha cabeça de criança, o time tinha relação com a cidade. Fiz isso, pois desse modo pensava que as pessoas iam me perturbar menos por causa de futebol. 

As pessoas têm que entender que existem milhares de esportes, não precisamos ficar presos em um. Não sou melhor ou pior que ninguém por gostar de algo ou não. Quando estamos dentro de um padrão, é difícil enxergar como é o jeito de viver de quem está do lado de fora. Para quem ama, acompanha ou é fanático por futebol, pode parecer muito estranho quando encontra alguém que não se interessa pelo tema. 

Sei que temos mais empatia por pessoas com gostos mais parecidos. Acredito que devemos ceder um pouco mais de tempo para conhecer os outros. É muito errado fazer julgamentos com  base no esporte que a pessoa gosta ou não. Devemos explorar um pouco o mundo do esporte e descobrir novas coisas. Ficar preso apenas em um tipo de atividade fecha muito a cabeça em um mundo particular. Ninguém deveria ser pressionado a gostar de algo, isso deve ser espontâneo. 

A desconfiança do governo e movimentos separatistas

O governo não é visto como uma entidade confiável para muitas pessoas. Vários cidadãos não querem e não gostam da ideia de terem que pagar para a construção do Estado e seu aparato. A indignação de não sentir parte de uma nação faz surgir grupo separatistas.

A elite do Estado não quer ficar para trás e deseja ser igual ou superior ao empresariado. O empresário no capitalismo tem um papel muito respeitado, enquanto a elite do Estado é vista como uma espécie de parasita que se aproveita do monopólio da força para buscar seus próprios interesses.

A desconfiança e a insegurança de não ter direitos fazem com que grupos menores queiram ter o domínio do seu próprio território e se livrar do poder central. As pessoas têm uma falsa ilusão que é uma tarefa fácil se separar de um determinado domínio. O Estado tem a monopólio da força, vai ser muito difícil alguém vencer a potência de um poder maior. Normalmente conflitos de interesse geram guerras, mesmo com a tensão de uma guerra, os separatistas podem não consegui atingir os seus objetivos. 

No sul do Brasil vemos um movimento separatista mais visível. Como os sulistas, as pessoas de outras localidades também estão com um sentimento de frustração de como se configura o sistema político brasileiro. Muita gente é muito ingênua e acredita que apenas acreditar e apoiar o movimento vai fazer as coisas acontecerem. O processo de federalização dentro do território brasileiro é muito forte, desfazer isso é uma tarefa um tanto quanto complicada. Acredito que devemos trabalhar para fortalecer os governos locais e as pessoas terem mais controle com o dinheiro dos impostos estão sendo usados. 

Tenho uma ideia um tanto quanto diferente do que é posto na realidade. Acredito que repasse de imposto deveria na maior parte ser utilizada na administração do bairro/região que esta renda foi recolhida. Dessa forma, a comunidade da localidade usaria a verba para aquilo que a população da localidade precisasse. O governo federal deveria preocupar apenas em defesa. As unidades federativas deveriam ter mais autonomia e depender apenas de si. Este modelo geraria mais competitividade e dessa forma gerando mais inovação. A adaptação do estilo de vida seria mais harmoniosa, sendo mais compatível com cada região. 

Espero que o Estado posso se reorganizar para entregar uma paz social e erradicar a pobreza. Se este sistema cair, que o próximo pense mais em evoluir o ser humano para um caminho que não leve a destruição. 

Me preparando para morar novamente em república

O ano de 2016 teve muitos desafios, mas finalmente ele já passou. Agora em 2017 a vida me dá mais desafios. O salário mínimo aumentou, mas a renda da minha mãe e a minha estão estagnadas. As despesas vão ficar um pouco apertadas e é necessário economizar. 

Vou ter que morar com outras pessoas para poder economizar. Não vou ter condições de comprar uma máquina de lavar, é o único eletrodoméstico que estou sentindo muita falta. O pior de tudo que no prédio onde moro nem tem uma área de serviço descente, nem espaço para estender as roupas. Nem vai valer a pena comprar uma máquina para roupas, principalmente porquê pretendo ir embora de Vitória daqui uns anos, vai ser mais um bem perdido. Depois de usado, eletrodomésticos e móveis desvalorizam muito. Se eu consegui mudar quero ir para um lugar mobiliado, dessa forma me livro dos pertences que tenho agora e assim não vou ter mais essa preocupação mais para frente. 

Agora tenho muito mais tempo e vou fazer uma pesquisa mais minuciosa das pessoas com quem possivelmente posso conviver. Foi muito chato minhas experiências com convivência com estranhos, principalmente quando entra em temas relacionados a limpeza. Querendo ou não, pessoas mais parecidas conosco, são muito mais fáceis de conviver. No momento que estava na presença desses outros moradores, não estava sentido a sensação de estar em casa. É muito bom chegar em casa e ter aquele sentimento de alívio por estar no aconchego do lar. 

Outra coisa além da questão da lavagem das roupas, são os vizinhos que estão me incomodando muito. Em outro post falei de um vizinho que parece que no apartamento dele tem um laboratório especializado em maconha de tão forte que é o cheiro. A vizinha maluca que fica gritando com a criança não me agrada também, ela não parece ter uma índole muito boa. 

Espero que em 2017 eu aprenda a ser mais simpático e que tenha melhores relacionamentos. Quero pessoas drogadas bem longe de mim. Cada um faz o que quiser da vida, mas não me sinto a vontade perto de pessoas com certos vícios (principalmente se eles são intensos e incontroláveis). Cada um deve respeitar o dinheiro individual do outro. Não tenho problema com quem usa entorpecente, apenas não invada meu espaço e de outros que não gostam de tais produtos. 

O ibope das celebridades vazias e o ocultamento da intelectualidade

É triste saber como que a mídia se configura. É grande o ibope para pessoas que não fazem nada de importante. Cientistas, professores, policiais e outros profissionais que lutam para deixar o dia melhor são simplesmente esquecidos. 

Algumas celebridades nem são agradecidas as próprias pessoas com que fazem que elas sejam famosas. É muito insano ver casos de algum famoso cuspir ou bater em fãs, e tais fãs ainda amarem e seguirem o ídolo da vida delas. Está precisando de mais amor próprio no mundo e uma autovalorização dentro da nossa sociedade. 

Devemos focar mais as nossas atenções para quem faz coisas mais importantes. Muitos artistas que estudam por vários anos, se qualificam e se esforçam por ter amor no seu trabalho não são valorizados. Os nossos cientistas não são apoiados e muitas vezes são mais valorizados no exterior (por isso muitos decidem realizar suas pesquisas fora do Brasil). Coitado dos policiais, que tem um salário péssimo, não são valorizados e odiados por parte da população. Os professores que são a base de todo o sistema, são tratados como lixo e não tem o respeito que merecem. 

A população por outro lado, trata os cantores de música lixo como deuses. Tem mulheres que simplesmente fazem sucesso por mostrar a bunda na televisão e isso é tratado como normal. As crianças crescem vendo um conteúdo totalmente promíscuo e acreditam que aquilo que é o sucesso. Algo tem que ser feito para quebrar este ciclo de criar uma nação de gente de cabeça oca. 

É um pouco preocupante quando sai algum material em uma revista ou um site famoso mostrando quais são os conteúdos mais acessados pelos brasileiros. É um pouco chocante saber dos sites, músicas, vídeos, programas e algumas celebridades que as pessoas mais gostam. 

A cada ano percebo que o processo de alienação e a criação de zumbis não é um conto de fadas, é um processo real e visível. Muita gente não consegue se libertar de estilo de vida infortunado que segue certa linearidade. Um bom indicador do processo de alienação e emburrecimento em massa é o surgimento e a popularização de celebridades vazias, e como este conteúdo vazio é maior do que conteúdo de enriquecimento cultural útil. 

Vivemos em um país de renda média, onde se possui uma camada considerável da população na pobreza ou extrema pobreza. O contraditório é que, a cultura da ostentação se tornou importante para a vida de muitas pessoas. As celebridades vazias fazem muitas pessoas desejarem coisas que elas não têm condição de comprar ou ter. O pouco que tem, que poderia ser investido em empreendedorismo, educação ou em uma poupança de segurança para se proteger de situações imprevistas. Conteúdo vazio faz com que haja uma indução ao consumo em coisas que não são necessárias e que pode pesar no orçamento. Em Economia temos um termo para designar este tipo de comportamento, que se chama efeito demonstração. Este tipo de problema existe há muito tempo, principalmente na América Latina. Hoje, pode-se traduzir efeito demonstração para uma palavra mais atual, a famosa ostentação.