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Me preparar para cumprir carga horária e procurar emprego

Quando entrei na universidade pensei que o processo seria mais tranquilo. Me imaginava estagiando em uma empresa, fazendo contatos e com um crescimento profissional. Aconteceu que tudo foi mais lento que pensei. Em um primeiro momento estagiar e estudar é uma tarefa muito difícil. Dependendo da onde a pessoa estuda e o curso que ela faz, pode até ser mais viável fazer as duas coisas. 

O sonho da independência financeira e finalmente poder me “desprender” da minha mãe foi adiado. Já vou fazer 20 anos e é ruim depender dos outros. Fui a primeira pessoa da família a ser dependente financeiramente que está estudando longe de casa. Eu tenho auxílios da universidade, ajuda muito, mas o valor não é suficiente para viver. 

Vou ficar mais tempo na graduação, pois vou terminar as matérias optativas e completar a carga horária. Dessa forma, no segundo semestre de 2017 vou ficar dois turnos vagos e assim vou ter tempo para procurar emprego. 

Minha esperança na universidade era entrar na AIESEC e me sentir realizado lá. AIESEC é um lugar maravilhoso, onde dá para aprender muita coisa maravilhosa. Mas não me encaixei muito com a cultura organizacional. Eu gosto de ambientes mais rígidos e controlados. Não me sinto a vontade nas festinhas com gente bêbada. A AIESEC Vitória por ser sedenta em números e pelo anseio de ser umas melhores do mundo e do Brasil deixa a qualidade ofertada um pouco a desejar, principalmente no momento de selecionar os estrangeiros que vem para cá. A maioria deles são descompromissados e só pensam em vir aqui no Brasil fazer coisa errada. 

Acredito que a área de pesquisa se encaixa mais comigo. É tudo muito mais tranquilo e impessoal. Prefiro criar uma barreira entre profissão e vida pessoal, e a ciência pode me proporcionar isso melhor. 

Tenho o desejo de empreender muito grande, mas ninguém colocou crédito em mim. Meu plano é começar a trabalhar, juntar um dinheiro e começar a construir um projeto. Gostaria muito de poder ser recompensado pelo meu esforço. Descobri que gosto muito de escrever e quero profissionalizar isso. Um dia vou aprender organizar todas as minhas ideias em uma caldeira e ver o que sai. Em Economia já sei que o mercado financeiro não tem muitas áreas atrativas para mim.

Prefiro algo que possa fazer na Economia real.

Porque escolhi o curso de economia – Será que vale a pena?

Vou fazer esta análise baseada na minha experiência e isso pode não corresponder a uma verdade absoluta.

Durante o ensino médio tinha muita dúvida do curso que eu ia escolher como grande parte das pessoas. Sabia que não queria a área de saúde, pois odeio hospital, cheiro de hospital, sangue e etc. Então já descartei os cursos universitários que seguem esta linha. Sou péssimo em exatas, nunca me imaginei estudando cálculo pesado, então não optei por cursos de exatas. Outra coisa que não me identifico muito é lecionar, pois tenho problema de comunicação verbal, perto de outras pessoas eu falo muito errado e minha fonética não é uma das melhores. Com o tempo fui afunilando as opções de graduação que eu poderia fazer. Desde criança me interesso por culturas diversas, meu sonho é morar fora do Brasil e ter uma condição de vida melhor. Muitas pessoas falaram para eu colocar o pé no chão e não viver de ilusões. Mas eu não sigo e nem ligo para opiniões limitantes e de pessoas que não conseguem o sucesso e tentam impedir o sucesso dos outros. Acredito que cada um tem o poder de direcionar a própria vida e tem o poder te atrair o que deseja. Gosto de idiomas (mesmo não falando nenhuma língua estrangeira fluente), então tentei focar minha carreira a partir daí. Pensei em turismo, comércio exterior e relações internacionais. Também gosto muito de gestão, as opções através disso foi administração, finanças e economia. Outra coisa que sou apaixonado é por publicidade, pesquisei por audiovisual, marketing e afins. Turismo já desisti, pois vi que não era muito o meu perfil e os salários também não me atraíram muito. Li muitos fóruns e alunos de comércio exterior e relações internacionais disseram que tinham dificuldade em encontrar emprego, pois as empresas preferem quem é formado em direito, não sei como que é o mercado ao certo desses cursos, mas fiquei com medo e desanimado, mais para frente quem sabe tento me arriscar mais para este lado. As áreas de publicidade me interessam muito, mas o mercado é incerto e não tenho aquela popularidade para arriscar a trabalhar com vídeos, fotos, ensaios e propagandas no começo de carreira, por isso estou fazendo isso de forma amadora para adquirir experiência prática primeiro. Bom, vamos as minhas últimas opções que foram: ciências econômicas e finanças. Administração já descartei de primeira mão, porque queria algo diferente, não gosto de fazer as coisas que todo mundo faz. Nada contra os administradores, apenas queria algo mais “exótico”.

Minha família não tem condição financeira boa para pagar uma universidade. A minha opção era a universidade pública. Nas federais, se não me engano, só tinha uma opção de graduação em finanças e era bem longe de onde eu morava. A opção que me restava foi economia. Vi vídeos e relatos sobre a profissão e gostei muito. Claro que tem aquelas pessoas negativas que falam que foi a pior decisão da vida delas fazer economia, pois não tinha emprego e que o curso é muito teórico e pouco prático. Sinceramente visei muito o lado financeiro, pesquisando na internet, vi que tem empresas que pagam muito bem aos profissionais formados em economia. Foi um choque do que lia dos comentários negativos e sobre as oportunidades que visualizei. Então fiz o vestibular da UFES e o ENEM. Primeiro saiu o resultado do ENEM, eu tinha passado na UFU (a universidade federal de Uberlândia), depois saiu o resultado da UFES, para a minha surpresa eu tinha passado, fui muito mal em algumas questões do vestibular, mas consegui nota.

Nos primeiros dias de aula teve apresentação de ex-alunos bem-sucedidos (acho que eles queriam nos impressionar, acho não, tenho certeza). Um que já era rico e ficou mais rico ainda. Outro pobre que depois conseguiu fazer carreira. Teve uma conversa com os professores nesses primeiros momentos. O centro acadêmico fez uma dinâmica, separou a sala em três grupos, alguns seriam os pobres, outros a classe média e outros ricos. Eu fui da classe baixa, e a veterana perguntou porque existiam pessoas pobres, aí eu falei que parte da pobreza era ocasionada por pessoas que têm filhos sem condições. Teve gente que ficou p*to comigo (alguns devem estar até hoje). Depois ela perguntou se pobre não pode ter filhos, falei que a pessoa tem que focar na carreira e estudo primeiro. Depois descobri que maior parte das federais no Brasil o cunho ideológico é mais de esquerda, eles devem ter pensando que eu era de extrema-direita ou algo do tipo.

Vamos para a parte principal, contei como cheguei até a minha escolha. Agora vou falar um pouco sobre o curso para quem estiver interessado. Talvez outros alunos que fazem Economia podem ter outra opinião. Economia é um curso em que o aluno tem que aprender a dominar vários assuntos como sociologia, política, legislação, área de exatas e história. Então se você não gostar de um aspecto, vai ter outro que vai te animar. Eu disse que não gostava de exatas, mas eu imaginei “Ah é um curso de economia, deve ter mais matemática financeira e não aquelas fórmulas complicadas.” Me ferrei bonitamente, dependendo da faculdade tem matérias que são iguais ou bem parecidas com o conteúdo de engenharia. Me vi em um desafio, será que vou conseguir? Estava desesperado e desesperei todo mundo. Minha primeira professora da área de exatas era uma russa que mal falava português, mas o lado positivo é que ela passava o conteúdo igual ao do livro, então dava para se virar. Esqueci de falar para vocês o que um economista faz, um economista é o profissional que gerencia os modos de produção, pois temos uma quantidade de recursos escassos pelo planeta e pelo pensamento mais tradicional, a utilidade desse produto precisa ser maximizada. A água por exemplo não era considerado um bem econômico, pois era só retirar da natureza e pronto, mas ela está se tornando um bem econômico, pois cada vez mais ela precisa de um processo industrial e químico para ser utilizada. O lado positivo é que um economista pode trabalhar na indústria, varejo, sistema financeiro, área acadêmica e/ou pode focar em empreendedorismo. Voltando o assunto sobre as matérias, eu ainda tenho muita dificuldade na área de exatas, reprovei em Matemática B (Parecido com Cálculo II, só um pouco mais simplificado), mas agora não vejo algo impossível de aprender, aos poucos vou ultrapassando minhas dificuldades. Na parte mais de humanas tem que ler muito, não é pegar um textinho e ler. Alguns livros são enormes e precisam de habilidade avançada em interpretação, é mais raro, mas conheço pessoas que reprovaram por não conseguirem interpretar os textos. Se a pessoa é preguiçosa para ler, vai ser obrigado a não ser mais.

Resumindo: Tem que ser bom em exatas e em humanas ao mesmo tempo!

Uma dúvida muito comum é sobre o mercado de trabalho. Como qualquer área no mercado de trabalho é bastante competitiva, economia não é diferente. Uma vez ouvi a seguinte frase “Enquanto uns choram, outros vendem os lenços.” Não é só a graduação que vai te dar a formação necessária para ter uma boa locação. Tem gente que empurra com a barriga e acha que quando formar já vai ter um mega emprego. Seja esperto, dentro da universidade já vai começando a fazer contatos, até eu que sou péssimo para fazer amizades já dei alguns passos. Entra em uma ONG, grupos de pesquisa, conjuntura e coisas do tipo, assim você sai da universidade com experiência. Como qualquer outra profissão:

Tem que saber idiomas estrangeiros!

Hoje em dia é obrigatório você estudar outra língua, os maiores salários exigem que você saiba pelo menos inglês ou espanhol. Na minha visão o idioma mais importante para a economia é o inglês, até porquê a Inglaterra foi o berço da ciência. Isso agrega ao fato que grandes economias desenvolvidas usam o inglês como língua materna ou secundária. Há vários autores na França e Alemanha. Para quem é mais de esquerda é interessante saber alemão, russo e mandarim para ter conhecimentos mais sólidos. Aos reclamões, se o indivíduo não participar de nada dentro da faculdade/universidade e não sabe nem o mais básico de outro idioma, aí fica difícil.

Outra habilidade que indico é informática, como a pessoa quer ser economista se não sabe fazer um infográfico, uma planilha no Excel ou puxar dados direto da fonte? Os mais velhos até entendo que tenham mais dificuldades (tem professor que nem sabe ligar o projetor), quanto mais para o futuro e menos a pessoa saber lidar com tecnologia, mais difícil para ela vai ser acompanhar o mercado.

Para finalizar. Para quem eu recomendo e não recomendo o curso.

Recomendado: Para quem quer sair da zona de conforto e se desafiar a aprender vários assuntos diferentes. Alguém que quer entender mais como o mundo funciona a partir da intervenção humana sobre seu espaço. Curiosos que querem saber como sociedades se organizam. Entender certos padrões humanos. Se surpreender com teorias que deixam de ser validadas através de certa circunstância.

Não recomendado: Para quem não se interessa por um lado mais social, pois o foco é a sociedade ou parte dela. Pessoas que tem a carga horária muito puxada, se você fizer em uma instituição boa, tenho certeza que não vai ter como estagiar/trabalhar por um tempo, a menos que tenha uma habilidade incrível de aprender muito rápido as fórmulas complicadas e textos gigantescos. Pessoas que tem 101% de convicção que não conseguem estudar exatas, mas acho complicado, se o ensino médio foi terminado, alguma coisa foi aprendida.

O texto ficou grande, mas queria passar esta experiência. Qualquer dúvida é só perguntar.

Guias sobre o curso:

Guia do Estudante: guiadoestudante.abril.com.br

IG: ultimosegundo.ig.com.br

Até os próximos diários.