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No Brasil pobre não pode ficar doente

Ir ao médico sempre foi uma tarefa que odiei. Quem fica doente e não tem condições de ter um plano de saúde sabe o que é sofrimento. Depender do SUS é uma tragédia. As filas são lotadas, os postos de saúde e nos hospitais faltam infraestrutura. Além do ambiente físico, as pessoas me deixam muito estressado. Muita gente mal educada e muitos médicos não são nada simpáticos, te olham como um lixo humano. 

Um dos principais motivos que odeio a pobreza e uma das forças que me faz me esforçar o máximo para sair dela é a questão de saúde. Vejo na televisão avisos para as pessoas não tomaram medicamento sem antes procurarem o médico. Acontece que, os riquinhos das grandes mídias não conhecem a realidade no país em que vivem. Para muita gente procurar o médico é uma perda de tempo, se elas não se automedicarem, vão continuar sentido dor ou outro sintoma do mal que possuem, buscar a saúde oferecida pelo Estado não vai adiantar nada. 

Tenho um problema de amigdalite e não consigo marcar médico de jeito nenhum. Para tentar consegui ser atendido, tenho que ficar me humilhando e esperar em filas por horas e horas para tentar conseguir uma vaga. Muitas vezes quando se consegue atendimento, o médico está pouco se importando com a sua condição. É triste passar por situações como essa. O meu caso nem é tão grave. Imagina pessoas desse país que tem casos mais sérios como um câncer ou algum tipo de doença crônica que precisa de acompanhamento. 

Quem como eu é de classe baixa, o certo é fazer o máximo para não adoecer. Na medida do possível tentar se livrar do estresse do cotidiano, se alimentar bem e tomar os cuidados com higiene. Depender do SUS não é algo fácil (para a maioria das cidades). 

Doenças do atraso que afligem o Brasil – Perigo da febre amarela

Vi nessa matéria da BBC que nos próximos meses no Brasil podemos ter uma epidemia de Febre Amarela:

Brasil está sentado em ‘bomba-relógio’, diz especialista sobre febre amarela

É um absurdo que certas doenças ainda existam. O pior de tudo é que elas existem pela ignorância das pessoas e pela falta de educação que está inserida dentro da sociedade brasileira. 

O Aedes Aegypti é um mosquito muito perigoso, e se mostra mais perigoso a cada dia. Tínhamos um problema enorme por causa da dengue. Muita gente não leva a sério o risco de pegar a doença e a chance de morrer por causa de hemorragia. Para piorar, agora temos mais vírus em circulação no país. Além do risco de pegar dengue, quem mora em área de risco pode contrair mais duas doenças, a zika e a chikungunya. 

Pelo país ser muito grande e possuir muitas áreas inabitadas, combater o Aedes é uma tarefa muito difícil, mas isso não justifica a falta de educação da população. Se cada um colaborasse e não deixasse água parada, o índice de pessoas infectadas diminuiria muito. Alguém que não faz a sua parte e tem consciência que tem atitudes que ajudam na proliferação do mosquito, ela deveria pensar que está cometendo um assassinato. Quando sabe do risco letal de um mosquito e mesmo assim colabora para a sua existência, isso é um atestado que a pessoa quer se matar ou matar outras pessoas. 

Além das doenças que são noticiadas pela mídia, principalmente aquelas que afetam todas as camadas sociais, há as doenças invisibilizadas. Muita gente ainda vive sem as condições mínimas necessárias para uma vida digna. Infelizmente água encanada e saneamento básico não são serviços disponíveis para todos. Por causa de esgoto a céu aberto, muitas comunidades, principalmente as mais carentes, sofrem de alguns tipos de doença. A ausência do Estado de garantir o direito à saúde, fazem com que muita gente fique sujeita a pegar doenças como Hepatite A e Leptospirose.

Por causa do medo e falta de informação, parte da população não toma vacinas! Tomar vacinas é muito importante, principalmente no Brasil que temos um risco muito grande de pegar algum tipo de doença durante a vida. Temos que aproveitar esse direito que temos e evitar que nossa saúde seja prejudicada.

O brasileiro tem um mal costume de tentar resolver as coisas depois que chega o pior. A melhor coisa é prevenir. Dentro da capacidade da pessoa, ela tem que ajudar a construir uma sociedade mais saudável. É importante não jogar lixo no chão, não poluir, não jogar entulho na rua ou em terrenos baldios (normalmente as prefeituras têm um serviço específico para isso, é só ligar para a prefeitura e resolver esta questão).

Uma coisa que não entendo é porquê não temos alguns hábitos quando há um surto de alguma doença. Não temos o costume de usar máscaras quando estamos doentes ou quando estamos em um lugar com uma grande aglomeração de pessoas. O governo deveria fazer mais campanhas de prevenção, desse modo gastaria menos dinheiro com medicamentos e internação. Poderia começar por uma campanha de lavar as mãos. 

O que esperar de 2017

2016 no geral não foi um ano bom para a maioria dos brasileiros. Tivemos inflação alta e desemprego em níveis recordes. Passamos por uma turbulência política muito forte e as pessoas se tornaram mais radicais na suas ideias. Foi um ano de seca, fome em vários lugares do mundo e de guerras. Por ter sido um ano difícil, os empreendedores agiram na dificuldade para a criação de novas ideias para solucionar os mais diversos problemas. 

Em 2017 terá Donald Trump como presidente, isso vai fazer com que a incerteza política seja maior. Não sabemos como que vai ser os impactos de suas ações, ainda está tudo na base da especulação. Espero que a Venezuela consiga encontrar uma forma de controlar a economia, pois se o conflito no país piorar, a situação da América Latina vai ficar em uma posição bem complicada. Tudo indica que a relação entre a Rússia e China com Estados Unidos vão ficar menos amigáveis. Conflitos por causa de espionagem estão ficando cada vez mais evidentes, algo que seria difícil de imaginar alguns anos atrás. 

No Brasil, o salário mínimo vai ter um aumento irrisório. Entretanto várias cidades vão aumentar absurdamente o valor da passagem de ônibus, fora os outros gastos que aumentam em janeiro. O brasileiro vai ter mais contas a pagar e menos para poupar. Espera-se que tenha um início de recuperação na economia, pois outro ano de recessão vai ser o início de um estado de calamidade. Agora por ter restrição nos gastos do governo, a gestão pública terá que ser mais eficiente. Vai ficar muito mais evidente os gastos públicos. O ódio ao sistema governamental está ficando cada vez maior, se o governo quiser ser um órgão importante e respeitado, ações tem que ser feitas. Ideias liberais estão se tornando populares, pois se tem a noção que o governo apenas rouba e não é capaz de fazer nada pela população. 

No longo prazo tal sofrimento vai ser bom para os brasileiros. Depois de toda esta tempestade, entende-se que muita gente vai valorizar mais o dinheiro e recursos que tem disponíveis. A lição de ser mais prudente e cauteloso vai estar penetrado na mente de muitos. 

Na Europa vejo que o controle a imigração vai ficar maior. A União Europeia abriu as fronteiras, mas tudo indica que para os próximos anos este tipo de política seja desconstruída. A morte por causa dos naufrágios está sendo banalizada e a intolerância a cultura estrangeira tem a tendência de se tornar mais frequente. 

2017 vai mostrar que o desafio de uma sociedade globalizada é muito mais difícil do que se imaginava. As pessoas não querem se ter seus modos de vida e costumes confrontados. 

Resumo do capítulo 3 de Casa-grande e Senzala – Gilberto Freyre

O autor

Escrito por Gilberto Freyre. Um escritor pernambucano, considerado um dos maiores sociólogos do século XX. Casa-Grande e Senzala foi seu primeiro livro publicado em 1933, escrito em Portugal. Ele nasceu em 15 de março de 1900 e morreu em 18 de julho de 1987 por conta de uma isquemia cerebral, infecção respiratória e insuficiência renal. Estudou o Brasil pela ótica sociológica, antropológica e histórica. Freyre é descendente dos primeiros colonizadores portugueses do Brasil. Também tendo descendência espanhola, indígena e holandesa. Ele teve a honra de ser um dos poucos brasileiros a ser detentor do título de Sir, concedido pela Rainha Elizabeth II. Começou no ensino superior aos dezoito anos, foi estudar na universidade de Baylor, que se localiza no Texas com uma bolsa que ganhou da igreja Batista. Depois ele foi para a cidade de Nova York, onde iniciou seus estudos na Universidade de Columbia.

Através de Casa-Grande e Senzala, o autor mostrou que o determinismo geográfico não define o desenvolvimento de um país. O livro recebeu muitas críticas por conta do tipo de linguagem utilizada.  

O colonizador português: Antecedentes e predisposições

Os portugueses eram um povo conhecido por serem escravocratas, mas ao mesmo tempo foi um dos mais que se interagirem com que os europeus chamavam de “raças inferiores”. O número de homens portugueses vindos para as colônias era maior do que de mulheres que se aventuravam por novas terras. Os homens de terras lusitanas não conseguiam ficar em abstinência. Assim tendo relações sexuais com mulheres de outras etnias, desse modo iniciando um processo de miscigenação. Na Europa, Portugal foi umas das primeiras pátrias a ter no que o autor chama de burguesismo. Os colonizadores do Brasil eram aristocráticos, patriarcal e escravocrata. Eles tinham ilusão de grandeza.

Um fator que uniu diferentes grupos no território brasileiro foi o sentimento de heresia implementado pelos portugueses, que ao longo da história teve vários alvos. O movimento mais forte era principalmente o religioso. Diferente de Portugal, que a igreja cristã tinha grande status depois da retomada de territórios que eram califados. No Brasil se formou uma sociedade diferente, onde o senhor do engenho que detinha grande poder.

No Brasil, a figura do coronel era mais poderosa do que Gilberto Freyre coloca como autoridade del-Rei. Qualquer pessoa com problemas com a lei, no território do coronel, o Estado não tinha poder nenhum sobre o indivíduo, sendo que o coronel que fazia as regras dentro das suas propriedades. Os religiosos tinham menos privilégios no que em Portugal e eram submetidos a tratamento diferente. No Brasil, os jesuítas por exemplo eram subordinados a Casa Grande, fato que os preocupavam. Eles se sentiam mais “tentados” por conviver em um espaço com mais mulheres.

A política segregacionista no Brasil se intensificou no século XVII e XVIII por causa do ouro, antes disso a rivalidade contra outros cidadãos europeus não era tão intenso como relatado por muitos historiadores, bastava a pessoa se declarar ou aceitar ser batizado na igreja católica romana.

A formação de Portugal é heterogênea. Tendo ancestralidade africana e de povos das partes nórdicas da Europa. Depois o território teve grande influência romana, que “latinizou” a região.

Gilberto Freyre fala que Portugal é o país do louro transitório ou do meio-louro. Os portugueses são descendentes dos celtas, romanos, germânicos e dos norte-africanos que moravam na região na época dos califados. A expansão árabe na Europa começou a ocorrer a partir de 711 e a reconquista cristã ocorreu no século XV. Por conta de tal característica racial, depois de adultos, muitas pessoas ficam com a pele e os cabelos mais escuros. Entre o século XVI e XVII foram os portugueses com esses traços físicos que vieram colonizar o território brasileiro. Havia portugueses com traços caucasianos misturados com as de negro ou judeu. Muitos mouros (povos norte-africanos) que foram para a Europa eram negroides, mas estudos mostram que possuíam algumas pessoas desses povos que possuíam os cabelos mais claros.

Fonte: Link do livro