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Não gostar de conhecer pessoas do nada: Vantagem ou desvantagem?

Uma coisa que não curto é conhecer pessoas do nada, aquelas que não fazem parte da minha rotina. Quando se marca um encontro com alguém desconhecido ou uma pessoa desconhecida que do nada aparece puxando assunto, me dá um certo nervoso. 

A primeira impressão é a primeira que fica, principalmente quando se vê alguém que provavelmente nunca mais terei contato, ou se tiver contato, anos depois. A melhor coisa é conhecer as pessoas naturalmente, aos poucos, no dia a dia. Quando encontramos alguém no supetão ambas as duas partes parecem que tem que fazer um esforço maior para promoverem a própria imagem. 

Odeio o fato de ser obrigado a promover a própria imagem. Dessa forma me sinto um produto humano, um ser entre bilhões de seres que se esforçam para parecem legais aos olhos da sociedade. Abandonei aplicativos de conhecer pessoas, conheci bons amigos na internet que pretendo encontrar pessoalmente um dia, mas nessa época encontrei gente com objetivos em comum e tinha mais tempo para conversar. Não tenho mais ânimo para buscar amizades online, a chance de encontrar alguém legal é muito baixa. 

Meu círculo social já está bom, está em um número de pessoas que consigo ter relacionamentos saudáveis. Nessa rede social seria melhor eu tentar fortalecer os laços, do que buscar novas pessoas. Eu não sou uma pessoa extrovertida que faz grandes amizades do nada. Sou meio analítico, gosto de conhecer quem está a minha volta aos poucos e gosto que me conheçam aos poucos também.

Não quero me expor para ser julgado por gente que não sabe nada de mim e da minha história. O melhor é evitar estes sentimentos negativos. O mundo também está muio perigoso, vemos casos e casos que são noticiados de pessoas que são mortas em encontros com desconhecidos. Sou tão extremo que nem tocar em gente estranha eu gosto, por isso tenho grande dificuldade de andar em ônibus. Prefiro pedalar quilômetros em cima de uma bicicleta, do que encostar em gente desconhecida.

Com o passar dos anos, estou a acreditar que nós mesmos de alguma forma moldamos nossa própria realidade. Não precisa ficar sofrendo para encontrar amigos ou um amor. Se tivermos energias boas, as pessoas boas vão ser atraídas para a nossa vida naturalmente. 

Diferenças entre os mineiros e os capixabas

Neste texto não quero fazer uma generalização, apenas quero expressar o meu ponto de vista baseado na minha experiência pessoal.

Morei grande parte da minha vida no Espírito Santo, me considero mais capixaba que mineiro. Nasci em Belo Horizonte, morei algum tempo em Minas e grande parte dos meus parentes são mineiros e moram no estado. 

Dentro do próprio Brasil existe grandes diferenças culturais de um estado para o outro. Minas Gerais e Espírito Santo mesmo sendo vizinhos e mesmo tão perto um do outro, possuem estilos de vida totalmente diferentes. 

Gastos na praia

Mineiros normalmente não têm culpa em gastar dinheiro, quando vão à praia não questionam preços e se fartam nos variados tipos de comidas que pode se encontrar no litoral. Mesmo se for fazer farofa na praia, não há miséria e muita gente leva, se possível, o maior isopor que pode ser encontrado, a comida para o dia de praia sempre está garantido. Os capixabas são muito mais cautelosos em gastar, quando compra alguma na praia, é em pouca quantidade. Capixaba questiona mais os preços cobrados. A maioria das pessoas do Espírito Santo nem vão frequentemente nas praias, se bobear, os mineiros passam muito mais dias na praia do que os capixabas. Tem cidades que depois do verão viram lugares desertos. Durante o ano, apenas alguns lugares de Vitória e Vila Velha são mais movimentados. Um costume capixaba é ir nas praias a noite para comer alguma coisa que é vendida no calçadão (nas cidades grandes). 

Amizades

Fazer amizades no Espírito Santo é muito (muuuito) mais difícil do que em Minas Gerais. As amizades dos capixabas normalmente são amizades de criança ou adolescência e eles são muito mais conectados com familiares. Muitos capixabas viveram a vida na mesma cidade ou região, então primos, amigos de escola ou vizinhos de longa data são os tipos de amizade que se faz aqui. Um “estranho” vir para o ES e conseguir fazer amigos é um pouco difícil, pois eles não dão muita liberdade para novos contatos. Os mineiros são mais abertos e até mais curiosos com alguém que vem de outro lugar. O primeiro contato com um mineiro é muito mais fácil (a probabilidade ser simpático com você também é maior). Quem nunca saiu do ES não vai saber o que estou falando, mas um capixaba que morou em outro estado deve saber que estou falando. Uma professora que meu deu aula sobre formação do ES falou que certos lugares do ES tem a cultura mais parecida com Santa Catarina, isso pela origem de certos territórios desses estados terem similaridade. Um carioca do estilo animado e descontraído deve sofrer muito se viver no estilo capixaba. É muito raro alguém falar com você do nada. Uma vez uma senhora de pernambuco puxou conversa comigo no ônibus que até assustei. Uma pernambucana me disse que é mais comum alguém na fila do ônibus puxar assunto e começar uma conversa, no ES a possibilidade disso acontecer é muito baixa. 

Status social

Mostrar que se possui algum tipo de status social é muito comum no Espírito Santo, na verdade esse é um costume que está crescendo em todo o país, mas no ES isso é multiplicado por 100. Um mineiro pobre não tem vergonha de mostrar quem realmente é, leva lanche se não tem dinheiro para comprar, tira foto para colocar nas redes sociais mesmo se a casa não for rebocada e não tem problema em sair para apenas ir na sorveteria comprar um picolé. Tem gente no Espírito Santo que passa fome para mostrar que pode ir em determinados lugares, tira foto na casa alheia, mas não tem coragem de mostrar a casa se for humilde e não vai em certos lugares se não for para tirar foto e poder postar nas redes sociais. 

Relações sociais

No Espírito Santo sinto que as pessoas não são muito simpáticas, isso tem um lado bom, as informações são passadas de maneira mais direta e sem enrolações. Mineiro demora muito para chegar no assunto e tem mais necessidade de conversar e interagir. Um capixaba quando gosta ou não de alguém deixa isso muito mais evidente do que um mineiro. Na paquera os mineiros são mais inocentes e mais tímidos, os capixabas são mais rápidos e diretos. 

Na hora de visitar alguém, um mineiro vão adorar passar o dia conversando com a visita e normalmente oferece algum lanche ou café. Capixabas odeiam visitas inesperadas e esperasse que tais visitas sejam rápidas, eles são muito mais miseráveis, a probabilidade de não te oferecem nada é muito grande. 

Espírito Santo é um lugar muito bom para quem é mais fechado, pessoa de poucas amizades, para quem gosta de conversas sem enrolações e mais diretas, gosta de praias (principalmente para quem gosta de comer a noite no calçadão) e estilo de vida mais fanboy/fangirl (se você é rico, bonito e similares, o ES é lugar perfeito onde você vai ser paparicado mais que a média nacional).

Minas Gerais é maravilhoso para pessoas mais simples, que gosta de sair com amigos (não se importando em lugares de baixo orçamento), fazer amizades depois de velho (velho que digo, depois da adolescência), para quem gosta mais de conversar assuntos aleatórios e ter fartura de comida em eventos (mineiros se importam mais com comida do que com decoração).