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casa de boneca melanie martinez - Fanfiction - A casa de boneca - Melanie Martinez - Capítulo 2

Fanfiction – A casa de boneca – Melanie Martinez – Capítulo 2

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Melanie foi brincar com a sua casa de boneca. A mansão em miniatura era cheia de cômodos e acessórios. Tinha tudo ali que pudesse imaginar, as portas das prateleiras abriam, o fogão era uma miniatura perfeita de um de verdade. As cores eram vibrantes e tudo parecia muito funcional. Pegou as suas bonecas e imaginou a sua família perfeita, papai, mamãe e irmão todos felizes e juntos.

A visita chegou em casa, mamãe preparou o chá. Comprou as porcelanas mais chiques da estação. Tinha pinturas de dragões chineses em um azul celeste. As peças utilizadas naquela ocasião, provavelmente nunca mais seriam usadas. Todas aquelas mulheres estavam conversando na sala, como se tivessem muito o que falar, entretanto mais tarde o clima ia ser totalmente diferente. Depois da visita, todos foram viver suas vidas de verdade. Mamãe foi fazer suas tarefas na cozinha, no silêncio da sua amargura. Papai foi ler um jornal na sala, não queria ser perturbado por ninguém. O irmão estava fumando maconha no quarto, todos sabiam disso, mas ignoravam, era uma fase de rebeldia que o adolescente estava passando. O irmão poderia usar a droga que quisesse, os pais só deram uma regra, ninguém conhecido deles poderia saber, pois ia ter brigas, discussões e o clima ia ficar muito pesado.

Melanie acordou no meio de uma noite, fez uma missão perigosa, andou nos corredores daquela casa, nas sombras da escuridão que percorria aquelas paredes. Alguns móveis pareciam ter formados de monstros, os jogos de luzes formavam imagens assustadoras. Mamãe estava apagada na sala, a tocou de leve, para ver se ela teria alguma reação, mas nada ocorreu, sabia que aquilo era frequente, tinha medo de algum momento a encontrar morta. Ouviu gemidos em um quarto, viu que de lá saiu uma mulher, seu pai saiu daquele cômodo logo em seguida, se escondeu para não ser vista. Seguiu papai por um instante, ele levou a mulher até a porta dos fundos da residência, depois Melanie correu para uma janela. Aquela desconhecida estava entrando em um táxi. Seu irmão estava com alguns amigos do quarto, eles riam descontroladamente e parecia que alguém estava tendo um surto psicótico. Depois de sua caminhada, voltou ao quarto, deitou-se na cama, ficou olhando o papel de parede que brilhava, queria que sua vida fosse linda que nem aquele papel. Depois de todas aquelas cenas, ficou difícil dormir.

Um dia perguntou a mamãe, se papai tinha uma amiga que aparecia as noites. A mulher apertou os braços da Melanie, disse que ela não poderia falar aquilo para ninguém, pois se assim fizesse, iria apanhar e ficar de castigo por muito tempo. A conversa foi iniciada quando o jantar estava sendo preparado, a mamãe começou a cortar os legumes novamente com muito mais força na faca, parecia que a pia ficaria em pedaços ou cairia. De manhã, viu na cozinha uma discussão dos pais. Mamãe fechou as cortinas e estava gritando e começando a bater no papai, “Como você teve coragem de trazer a vadia para casa!”, ela disse. Papai segurou as suas mãos, gritou mais alto e disse olhando em seus olhos que ela estava descontrolada. Falou que ela era uma bêbada, vadia e suja que não sabia ser uma esposa e uma boa mãe. Melanie, viu que não foi vista, se escondeu atrás da escada. O irmão naquelas horas provavelmente já tinha saído para algum lugar.

Ninguém se falava direito e cada um ia para o seu canto. Era muito estranho quando estavam juntos. Tinham que aparecer como uma família perfeita em público. Mamãe ficava louca tentando arrumar todo mundo. O terno do papai tinha que estar muito bem arrumado, o irmão não poderia usar nenhuma droga naquele dia, pois não poderia ter nenhum cheiro suspeito, o deixaram preso no quarto, ele batia descontroladamente a porta. Melanie usou um vestido no estilo que a mamãe gostava, colocou um laço em seu cabelo e arrumou a gravata do papai para que saíssem bem na foto. Naqueles tempos, ela já tinha medo do irmão, não era mais o menino doce que engolia tudo o que os pais faziam. A menina se afastava deles, não queria fazer parte de tudo aquilo. “Melanie fique perto do seu irmão para a foto!”, disse a mãe. Ela obedeceu e deu um sorriso amarelo para o flash.

Foram em uma comemoração na igreja que frequentavam. As pessoas comentavam como a mãe da Melanie estava com um corpo perfeito, mesmo tendo dois filhos. Comentavam sobre as joias da mulher, eram tão belas e brilhantes que não tinha como passar despercebido. Melanie olhava todo mundo ali admirando a sua família, falando como eles eram pessoas adoráveis. Mal sabiam que, exatamente naquele mesmo dia, papai sairia com a amante e mamãe ficaria chapada. Ela iria para o porão antes de dormir e brincaria com a casa de bonecas, elas eram sua família perfeita.

A menina com o tempo se sentia sufocada, queria ser a boneca que mais gostava, ela tinha uma mansão, uma casa cheia de móveis lindos, não brigava com suas irmãs, estava sempre bem arrumada, não tinha uma mãe, um pai e um irmão que a perturbava. A vidas das bonecas é excelente. Mesmo sendo um pouco mais crescida, não deixava de ser uma bebê chorona, pensando em tudo isso, começou a chorar, suas lágrimas molhavam a madeira vernizada do teto da casa. “O que é necessário fazer para ser amada? ”, “O que fiz de errado com eles? ”, eram as frases que vinham na sua cabeça.

Sua boneca parecia que tinha ganhado vida, mas não sabia se as suas falas eram para mostrar como era o mundo dos brinquedos ou se era para julgar a garota. Melanie não queria ser julgada pela sua própria boneca, será que era necessário e era a hora de fechar as cortinas da casa de brinquedo como mamãe fazia na casa quando ia brigar com alguém? Mamãe tinha medo dos vizinhos, será que ela deveria temer também? Melanie pensou se era hora de contar para a sua amiga que estava apaixonada.

Ramon Cristian

Estudo Ciências Econômicas na UFES. Sou apaixonado pela cultura asiática. Pretendo ensinar, mas sem deixar o espírito empreendedor de lado. Quero me especializar na área financeira ou desenvolvimento econômico. Sou fascinado por todos os temas que mostram a expressão humana, como arte, literatura, cultura e moda.