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a mãe da Cry Baby - Fanfiction - A mãe da Cry Baby - Melanie Martinez - Capítulo 1

Fanfiction – A mãe da Cry Baby – Melanie Martinez – Capítulo 1

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Ela foi ao médico e descobriu que estava grávida. Para os outros, mostrava que estava muito feliz por ser mãe novamente. Mas por dentro não queria estar experienciando tudo aquilo, fingiu que estava tudo bem, tentou enganar até a si mesma. A maternidade era algo que a assustava. Tinha um filho pequeno, era indiferente com ele. O menino era bonzinho, entendia que a mãe gostava de ficar sozinha e fazia o que ela pedia para não vê-la estressada e nervosa.

Aquela mulher vivia um casamento infeliz. Ninguém tinha noção dos sentimentos que eram escondidos atrás daquelas roupas de grife que usava e da maquiagem impecável das melhores marcas. Sentia a pequena menina em sua barriga, era uma sensação que não sabia explicar, talvez era melhor este momento do que a hora de conceber. Sabia que sua vida ia mudar radicalmente novamente, afinal, agora ia ser dois para criar, três se contar o marido que era quase que uma criança problemática. Como iria cuidar daquela menina?

A opinião das pessoas importava muito, importava a certo ponto, que a deixava louca. Sua família, dentro daquela casa, que via suas loucuras, ninguém mais sabia o que ocorria. Sempre tentava provar que a sua vida era melhor dos que as “amigas”, tentava se sentir mais bonita, mais atraente aos olhares e levava na ofensiva qualquer insinuação que ela não era perfeita. Era cobrada de todos os lados, seus parentes mais próximos que deveriam ser seu refúgio, não era as pessoas que a ouviriam sinceramente. Sua imagem pública era impecável, inabalável. Saia da melhor forma possível e se policiava para ser bem-educada com as pessoas que conhecia. Era só chegar em casa, deitar no sofá e desmoronar, sabia que o seu marido não estaria ali naquela noite, a desculpa era que tinha que ficar fora por causa dos negócios. Mesmo grávida, ele era invisível e insensível, o que esperar de um relacionamento por obrigação? Deitada ali sozinha, começou a sentir as contrações, ligou para a enfermeira que tinha mais confiança. Ela pediu para a futura mamãe se acalmar, pois a ambulância do hospital estava a caminho. A enfermeira estava mais animada com a gravidez do que a própria grávida.

Depois de vários sedativos e dores que não queria sentir, viu a sua filha na mão da enfermeira. A única coisa que queria era fumar, sentia muita falta do cigarro que acompanhava a sua solidão. Não fumou na gravidez, pois sempre pensava nos que os outros iriam achar daquela situação absurda. No fundo, bem no fundo, ia ficar com o peso na consciência em fazer mal a uma criança indefesa.

Seu filho mais velho parecia assustado com toda aquela situação, mas ficou ali firme, no seu coração sentiu que aquele momento era importante para apoiar a mãe. Quando a enfermeira entregou a criança, a bebê começou a chorar. A vontade daquela mulher era gritar. “O que fiz para passar novamente por esta situação! ”, pensou. Era uma mistura de raiva, impotência e tristeza. Não conseguiu se conter, demonstrou que estava insatisfeita com tudo aquilo, cena que só o filho e a enfermeira conseguiram ver, ninguém mais saberia daquela insatisfação.

Depois de algumas horas, o pai chegou, colocou todo mundo no carro e foram para casa. O quarto do bebê era lindo. Todo montado com móveis de madeira de primeira qualidade. Cheio de brinquedos e com vários bichinhos de pelúcia.

Passaram-se alguns meses e a mãe não aguentava mais aquela bebê chorona. Ela não gostava de comer as papinhas industriais que foram compradas. Queria que a menina colaborasse, pois seu único desejo era beber muito álcool e apagar, não queria ter todas aquelas obrigações. Por ela está ocupada demais cuidando de crianças, ninguém mais a chamava para festas e não recebia mais convites de encontros.  Para ela, era os outros que eram insensíveis e cruéis, ninguém se importava com os seus sentimentos. Nunca uma pessoa do seu convívio a entendeu, não tinha a oportunidade de desabafar os seus problemas e angústias.

Já estava ficando bêbada, mas ouviu novamente o choro daquela bebê. Bateu o vidro da garrafa na cadeira de papinha com força, o líquido se estremeceu todo dentro da garrafa, gritou e disse para a menina parar com aquelas lágrimas, não aguentava mais tantas lágrimas.

O marido apenas a cobrava, como ela era uma mulher péssima, pois não sabia como controlar o choro de uma criança. Justificou que não poderia ficar ali todas as noites, pois não conseguia dormir. Ela sentia certa inveja da filha, a pequena era algo que ela não gostava de demonstrar, sensibilidade. Seu filho era distante, na dele, tinha medo de retaliações, então a evitava. Já aquela bebê chorona, por necessidade ou por causa daquele clima pesado, chorava, pois o choro era algo que fazia parte de si.

“Esta menina se parece muito comigo”, olhou assustada para a criança. O filho tinha ido brincar e só estava as duas na casa. Aquela criança, a inocência dos olhos de alguém que não sabia da sua dor. Não resistiu, teve que chorar. Chorou profundamente como nunca tinha feito antes, uma criança a tinha feito chorar, ação que não imaginaria que aconteceria em algum dia. “Ela é assim, dane-se a sociedade! ”. Queria ter coragem para demonstrar a sua verdade, não estava feliz, queria chorar por seu casamento que já começou fracassado desde o começo.

Sentia certa empatia com a filha, mas não se sentia boa o suficiente. Percebeu que o tempo passou e que não teria mais como voltar atrás. Não conseguia largar os seus vícios, seus pensamentos negativos estavam agarrados no seu cérebro.

O passo seguinte foi se afastar novamente, não teria condições de ser próxima das crianças. Tentou preencher este vazio com objetos materiais. As crianças teriam muitas opções para brincar, assim não a perturbaria. Mandou encomendar para a filha uma casa enorme de boneca, onde era miniatura de uma casa perfeita.

 A bebê chorona com um pouco mais de idade, começou a usar aquela casa, seria onde todas as suas fantasias causadas pela falta de afeto iria de materializar.

Ramon Cristian

Estudo Ciências Econômicas na UFES. Sou apaixonado pela cultura asiática. Pretendo ensinar, mas sem deixar o espírito empreendedor de lado. Quero me especializar na área financeira ou desenvolvimento econômico. Sou fascinado por todos os temas que mostram a expressão humana, como arte, literatura, cultura e moda.