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Minha experiência com celulares

Telefones celulares são gadgets quase indispensáveis no nosso dia a dia. Já são quase a extensão do corpo de muitas pessoas. 

Meu primeiro celular foi no meu aniversário de 10 anos. Aquilo era a melhor coisa que poderia ganhar na vida naquele momento. Na minha sala e acredito que é um fenômeno que deve ter acontecido em outros lugares, muita gente estava ganhando seu primeiro celular. Eu tinha um celular simples da Nokia desse modelo da foto, mas o meu era todo cinza.

 

celular nokia Ramon Cristian 300x298 - Minha experiência com celulares

Uma amiga minha e outros que conheci tinha um parecido com esse modelo, mas já tinha a tela colorida e a atração principal era um joguinho de futebol. Nestes celulares mais antigos meu jogo favorito era um de nave, o nome dele é Space Impact. Claro que joguei muito o clássico jogo da cobrinha, muito popular nesta época. Na época a ostentação do momento era ter um celular da Motorola de Flip, tinha uma menina da minha classe que tinha um desse e jogava na cara de todo mundo o celular que os pais deram para ela. E pior que gostava dela, que vergonha desses tempos.

 

 

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Logo em seguida, se tornou muito popular os celulares com Java, pois estes davam acesso mais fácil à internet, mas acessar internet pelo celular era apenas para as pessoas ricas, pois era cobrado por tempo de navegação. Os pais ficavam muito atentos às crianças e sempre havia aquele aviso para tomar cuidado para não acessar os aplicativos de internet para não gastar o crédito. Uma vez fomos visitar nossos parentes que moravam em Diamantina-MG, uma prima da minha mãe já tinha um celular com uma configuração mais avançada. Acho que era da Sony, não tenho certeza. Gostava de um jogo de golfe daquele celular. Fui abrir o navegador de internet, fiquei uns 30 minutos e gastei todo o crédito que ela tinha no telefone. Fiquei muito envergonhado. Os adultos tinham muito cuidado com este tipo de coisa, para não acontecer estes fatos.

Depois desse celular da Nokia, ganhei um celular xing ling. Desse modelo abaixo, mas o meu era um azul bebê (minha mãe que comprou sem minha consulta). Era os celulares preferidos de quem gostava de música alta.

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Não vai haver celular do universo com o som mais alto do que esse. A bateria não valia nada, mas não dá para esperar muito de uma coisa que falsificada que custava R$100,00. Ele tinha até televisão analógica. Uma amiga minha tinha um modelo parecido com o meu, mas o celular dela tinha Twitter, Facebook e outras redes sociais. Tentei por semanas para tentar fazer o meu pegar internet, mas sem sucesso. O engraçado que com uma foto ele já ficava com a memória cheia. Minha mãe deixou ele cair em um poça de água e ele queimou.

Depois ganhei dois celulares de vizinhas que estavam trocando de aparelho, um era um bem simples, monocromático. O outro acredito que era da Nokia, já com uma configuração mediana. O monocromático, eu fui em configuração, aumentei o contraste da tela e ficou tudo verde, não sendo mais possível ver as opções. O outro simplesmente pifou. Também ganhei um celular de flip que a tela não era colorida, mas não lembro o que aconteceu com ele. Só sei que já destruí muitos celulares. 

Depois dessa primeira fase sem ter muito o que fazer com um celular. Só tinha com jogar, mandar sms e ligar. Aí finalmente ganhei um celular com mais opções. Aí se poderia gastar mais tempo com outras atividades, como: ouvir música, rádio fm, usar internet, ver vídeos, tirar foto e entre outros. Este foi o “boom” do vício. Onde tudo já começou a ser feito pelo celular. A operadora TIM fiz um plano que poderia usar internet ilimitado por R$0,50 centavos por dia que usar. A partir daí, todo mundo já usava internet. 

Eu tinha ganhado este celular da Samsung, eu já conseguia fazer tudo nele.

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Como sempre fui meio antissocial baixava meios animes, convertiam no Format Factory e via na escola. Tinha um aplicativo maravilhoso que se chamava Snaptu, infelizmente o Facebook comprou o serviço e o desativou. Por causa da maldita obsolescência programada quando o celular completou dois anos, ele simplesmente parou. 

Depois tive um ZTE que também era Java.

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Ficava horas tentando achar aplicativo para ele. O chato do Java que para baixar aplicativos, você tem que procurar exatamente o tamanho da tela, então o aplicativo fica “cortado”, mas finalmente achei coisas legais. Tinha um joguinho bem legal, que era de um carinha que tinha que ficar pulando os prédios. A partir daí meu app de internet favorito é o UC. Ele tinha TV digital e era muito bom. Ele parou do nada depois de dois anos. Infelizmente nem a carcaça dele tenho mais, pois a levaram quando invadiram e roubaram minha casa.

Como descobri os sites chineses e já sabia que funcionavam. Na época o dólar estava baixo e então decidi comprar um celular. Demorou por volta de um mês, mas por sorte não fui taxado, era difícil algo ser taxado, pois a demanda dos brasileiros era muito grande e tinha poucos funcionários na receita federal. Comprei uma marca desconhecida, mas decidi arriscar. Juntei dinheiro do meu estágio do INSS e comprei. 

Ele era maravilhoso, durou comigo quase quatro anos. Não foi mais tempo porque fui roubado. Como sou bastante descuidado, ele estava todo quebrado, pois deixei ele cair no chão várias vezes. Foi minha primeira com Android. O nome da marca é Zopo, este modelo é o ZP900.

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Só o vídeo dele que não era muito bom e com o tempo a memória não foi aguentando as novas atualizações mais pesadas dos aplicativos. Na minha sala, fui um dos primeiros a ter um celular com Android e paguei bem barato em comparação aos modelos que tinha no Brasil. 

Hoje basicamente o mercado se resume ao IOS da Apple e ao Android. Vamos ver como vai ser o mercado daqui alguns anos. Vários analistas falam que não vão existir mais smartphones em um futuro próximo, que a tecnologia vai estar no corpo, se integrando ao nosso ser. 

Transição de república para morar sozinho

Quando mudei de cidade, longe de qualquer familiar e vendo que teria total responsabilidade de tudo. Foi uma experiência que decidi enfrentar, pois saberia que seria muito importante para o meu desenvolvimento. Como não tenho condições financeiras para viver nos melhores bairros, a primeira opção foi buscar uma república. Parece uma loucura morar com pessoas com quem nunca tive contato na vida. E realmente é uma loucura. Fui morar com um equatoriano, uma colombiana, um camaronês e com outro brasileiro. Encontrei este lugar através de grupos do Facebook. 

Quando cheguei saberia que minha mãe ia ficar louca, pois o apartamento era bem velho e não era tão limpo como minha casa que dava até para ver o reflexo no chão. Duas coisas fiz muito de errado que eles brigavam muito comigo com razão. A máquina de lavar lá de casa está em perfeito estado, então quando abre a torneira para enchê-la, quando chega no nível programado, como é normal, ela para de encher. Mas na república a máquina era bem velha e cheio de problemas, ou seja tinha que tomar cuidado na hora de encher, pois poderia transbordar. Como minha mente não estava programada a isso, pois não estava acostumado a lavar roupa estando sempre que prestar atenção. Acho que a máquina transbordou com água umas duas ou três vezes. E a outra coisa é que deixava alguma coisa pronta no fogão. Lá em casa sempre ia alguém comer ou se não ia comer, guardava. Minha mente também não estava condicionada a isso. E já deixei algumas coisas estragar. Não comia muito em casa, pois almoço e janto na universidade. Tive que aprender a fazer compras para uma pessoa só. 

Depois de um ano vi que a situação estava insuportável e precisava ir. A colombiana e o equatoriano eram namorados e as vezes brigavam. A relação deles era estranha no meu ponto de vista e me sentia desconfortável. Eles tinham um cachorro e deixavam ele ficar andando em todo o apartamento. O problema não é esse, acontece que ele soltava muito pelo e eles não limpavam. Me dava angústia ver os pelos. O apartamento tinha dois andares e em cima era enorme. Ou seja, o Pito (o nome do cachorro), poderia ficar lá em cima, espaço não ia faltar. Falei com eles delicadamente e acharam ruim comigo. Falaram que ele teria depressão. Mas o mais contraditório, que eles deixavam ele sair na rua sozinho! Acredito que por preguiça de passear com ele. Depois ele chegava cheio de pulgas e sempre o via coçando. Já levaram este cachorro até na praia sendo que é proibido. Falavam que iam dar de gringos que não sabiam de nada. 

Se incomodavam com coisas idiotas que não eram da conta deles. Reclamavam que eu deixava as frutas e legumes dentro do saco plástico, que isso era um absurdo. Que deveria deixar tudo fora das sacolas, que não poderia colocar dentro da geladeira. Falei que na minha casa sempre deixava as coisas dentro das sacolas e nunca deu em nada, as coisas não estragavam. Não podia passar minhas roupas em paz. Alegavam que a conta de energia estava vindo muito cara por minha culpa, porque passava minhas roupas. Tive que ver um tutorial na área de serviço de como estender as roupas para não precisar passá-las. Obviamente que ia não sair de casa mal arrumado, tive que passar roupa escondido, como se fosse um crime.

Nunce fui nacionalista, mas me incomodava o fato deles só falarem mal no Brasil. Falando que a comida daqui não é boa, que o café é péssimo. Como que alguém conseguia tomar café brasileiro. Que tudo é muito caro. Que brasileiros são estranhos. Até parece que os países deles são maravilhosos, de primeiro mundo. Se está tão ruim, por que não vão embora? Morria de medo do outro brasileiro, ele não fazia nada na casa. Moramos um ano no mesmo apartamento e ele não falou nenhuma palavra comigo. Se ele visse alguém, acelerava o passo e batia a porta. 

Minha mãe concordou comigo e que era hora de mudar, mas o principal problema era a questão de dinheiro. Através de contatos minha mãe conseguiu negociar o preço de uma kitnet. O valor da água já estava incluso, pagaria apenas a energia. Contratei um frete para fazer a mudança, mas o homem era burro demais. Marcamos um horário e nada do homem chegar. Falei para ele: em frente da igreja tal, o apartamento é em cima do restaurante tal. O cara estava indo em outra rua, sendo que não tinha como errar. Era só ler o endereço (xingo mentalmente quando lembro disso). Ele me culpou pela própria incompetência! Quando ele finalmente chegou depois de horas de atraso falou que tudo tinha que ser muito rápido, pois tinha que ir em outra cidade. Ele estava com uma cara de desânimo e vi que aquilo não ia sair bem. Então falei: Deixa isso pra lá, desisto. Cancelei o serviço dele e entrei em contato com outra pessoa. Este outro fretista (acho que escreve assim) salvou o meu dia. Ele chegou bem rápido e em um instante organizamos as coisas no caminho. Era pouca coisa, tinha uma cama, um guarda-roupa e um fogão. 

Nas semanas seguintes fui organizando as coisas. Tentei conversar com os vizinhos para ver se alguém gostaria de dividir a internet, mas não obtive sucesso. Uma vizinha me disse que não confiava em mim, que eu poderia passar a senha dela para todo mundo do prédio, fiquei com cara de paisagem e falei que se estava pedindo para dividir a internet que obviamente não iria ficar compartilhando senhas. Percebi que as pessoas que moravam perto de mim não eram nada amigáveis e decidi evitá-las. Eu tinha um problema, eu não tinha área de serviço. Dois apartamentos do primeiro andar do prédio, são bem pequenos. No caso o meu e de outra pessoa (que é filha de uma amiga da minha mãe). Este apartamentos não tem área de serviço. Mas no prédio tinha uma pequena área de serviço, ela ficou com muita raiva ao saber que usaria esta área de serviço também. Mesmo com estes problemas com as pessoas (que é quase inevitável), estou bem mais tranquilo agora e morar sozinho está me dando muita paz. 

Não recomendo morar com pessoas desconhecidas, tente ver se seus objetivos cruzam com amigos próximos ou familiares para que não se sinta desamparado. 

 

 

Primeiros contatos com outras línguas

No Brasil, a gente não é muito estimulado a aprender um outro idioma desde cedo. Mas sempre estamos em contato com outros idiomas. Até por palavras estrangeiras que já viraram parte do nosso idioma. 

Eu lembro que não entendia porque em alguns produtos comprados no supermercado sempre tinha produtos com Brasil escrito com “z”, sendo que aprendi que não se escrevia daquela maneira. Também não tinha noção dos línguas que eram falados pelo mundo, achava que isso tinha mais haver com o país, tipo na Argentina falava argentino, na Austrália falava australiano. Hoje eu rio, desses pensamentos bobos de criança. Não tive acesso a TV paga, então isso me deixou mais longe de contato com outros idiomas. 

O que tinha na televisão (não sei se tem ainda) era um canal chamado Mix TV e MTV, onde tinha programas que passavam clipes de cantores internacionais. Na MTV tinha um programa chamado Teen Cribs, onde mostrava as casas dos adolescentes ricos dos Estados Unidos, nem sei porque via isso. Outro programa que vi foi My life as Liz, nessa série mostrava a história de uma jovem que saiu do interior para estudar em uma cidade grande. Através desses dois canais que inicialmente tive mais acesso ao inglês. Mas grande parte do meu tempo eu assistia animes, gosto muito de Pokémon e queria aprender todas as aberturas japonesas. Eu ia para a escola com meu irmão cantando as aberturas de Pokémon e Naruto. Poderia ter aproveitado este contato mais extensivo principalmente com o Japonês e ter tentando ter desenvolvido mais o idioma. 

Com o tempo e maior conhecimento geral sobre o mundo, eu fiquei ciente que aprender outros idiomas é muito importante para o desenvolvimento como pessoa e este é um dos focos principais da minha vida. É necessário estimular as crianças para que elas se tornam poliglotas, o que não falta atualmente é ferramentas para isso. 

Como é ser o irmão mais velho

Até certo momento da sua vida, você é filho único e tem toda atenção do mundo. Após alguns anos, você não está mais só, é necessário conviver com irmão(s) e/ou irmã(s). Isso é uma experiência totalmente nova que muda toda a sua rotina. É ainda mais desafiador este nível de parentesco quando esta pessoa que veio ao mundo tem a personalidade totalmente diferente da sua. Com um irmão/irmã se aprende a ser mais solidário, pois uma palavra é usada mais frequentemente: dividir.

Ser o irmão mais velho é ter certo nível de responsabilidade que não se tinha antes. Isso é um pouco chato, principalmente se for culpado de algo que a outra pessoa fez. Meu irmão tem um estilo mais parecido com minha mãe e os dois se dão bem. Eu sou tipo o Lula Molusco da família. Minha mãe é mãe solteira, então senti que tive uma responsabilidade maior em cuidar do meu irmão mais novo.

Eu sou mais calado, não sou fácil em fazer amizades e muito desconfiado com tudo. Já meu irmão é extrovertido, fácil em conhecer pessoas e fala sem parar (isso me irrita). Com o tempo as coisas se tornam mais fáceis. Não é necessário mais ouvir dias e noites de choro e tem como ir mandando a pessoa ir se virar. A partir de certa idade se a/o irmã(o) está com fome, é só falar para ela/ele preparar o lanche que você não é mais obrigado a nada. As coisas melhoraram quando mudamos e tivemos quartos separados. Com cada um no seu quadrado não é mais necessário se estressar com bagunça.

Tirando todas as desvantagens, ter um laço de amizade com meu irmão mostrou que isso é importante. Depois que os pais morrem, uma das pessoas que talvez mais se tem contato são os irmãos.