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História de Vitória – Capital do Espírito Santo

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Início de Vitória até as primeiras décadas do século XX

A colonização portuguesa se deu do século XVI ao século XVIII, isso influenciou muitos aspectos no Brasil como o todo e a cidade de Vitória não ficou fora desse processo. Um marco importante para a colonização do Espírito Santo foi a chegada dos Jesuítas em 1551, eles deram início a este processo colonial e de ocupação do solo.  Na época havia três grupos indígenas: os tupiniquins, aimorés e goitacás. Uma das primeiras construções foi o conglomerado formado pela Igreja de São Tiago e um espaço para a habitação dos padres. Houve um incêndio no local e em 1570 foi erguido por mão de obra indígena (informação que não é muito evidenciada) o colégio de São Tiago, a primeira instituição de ensino formal da capitania. Hoje é o palácio Anchieta, a instituição já foi sede da missão jesuíta no estado. Nessas primeiras construções jesuítas fica evidente a arquitetura que eles trouxeram da Europa e as marcas da igreja Católica. Mesmo com a expulsão dos jesuítas no século XVIII ainda foram construídas duas igrejas com base na irmandade, uma foi a São Gonçalo feita pela antiga Confraria de Nossa Senhora do Amparo e da Boa Morte, atualmente é a Venerável Arquiconfraria de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, igreja que na época era frequentada pelos homens pardos e a outra construção foi a igreja do Rosário que abriga a devoção de São Benedito, esta instituição religiosa foi erguida pela irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. 

 A localização da capital era estratégica, pois os portugueses tinham receio dos ataques das aldeias indígenas que habitavam a região e de outros povos europeus (principalmente os franceses e holandeses). A capital foi fundada em 8 de setembro de 1551 com o nome de Vila Nova do Espírito Santo, foi mudada para o nome Vitória em memória da vitória de Vasco Fernandes Coutinho (dono da capitania) contra os índios goitacás.

A cidade era alvo de piratas e corsários. Um corsário chamado Pieter Pieterszoon Heyn que juntos com seus subordinados tentaram atacar a vila na tentativa de tomar o território foram surpreendidos por Maria Ortiz que incentivava os vizinhos a arremessar objetos e água quente contra os invasores que subiam as ladeiras para chegar na cidade alta. Em 15 de novembro de 1924 a ladeira começou a ser chamada de Escadaria Maria Ortiz. Por medo de ataques a cidade foi sendo construída nas partes altas da ilha, onde habitava principalmente as elites, se chegava até estes locais através das escadarias. Uma escadaria muito importante era a de São Diogo de estilo eclético, a construção era do lado do Forte São Diogo. As praças tinham grande importância para o convívio social. A Praça de Igreja de São Tiago acontecia eventos para o entretenimento da população. A Praça Oito também era um importante ponto de encontro, o nome é Praça Oito por causa que foi a data de fundação de Vitória, antes o local era o cais da alfândega, em volta havia muitos bares em que os habitantes da cidade se reuniam. O Largo do Teatro era conhecido por ser uma área do Teatro Melphômene (que não existe mais), o nome do largo era Costa Pereira em homenagem a José Fernandes da Costa Pereira Júnior, uma pessoa muito importante para o abolicionismo. No geral o espaço urbano não era planejado, as ruas eram muito estreitas e desalinhadas. As camadas sociais com renda mais baixa viviam na denominada cidade de palha perto aos redores dos manguezais que era considerado um terreno sujo, nesta parte da capital também é possível observar que há muito menos monumentos do que na parte mais elitizada.

A economia inicialmente era baseada para o próprio abastecimento e há registros mostrando como Portugal incentivava a emigração para o Brasil focando na produção açucareira. No século XVI e XVII a capital girava em torno do açúcar e os cristãos-novos controlavam o comércio (judeus convertidos ao cristianismo). O mercado era muito pequeno, pois concorria com grandes produtores de açúcar da região nordeste do país. Vitória por causa do seu isolamento insular teve seu desenvolvimento comprometido, um dos principais motivos para isso foi que o Espírito Santo foi usado como barreira verde para que fosse dificultado ataques se algum invasor quisesse chegar as minas de ouro e pedras preciosas.

No século XVIII se deu início um processo de militarização na baía de Vitória. No ano de 1726, foi recebido na cidade o engenheiro Nicolau Abreu para fazer projetos na função de construir fortificações e melhorar as existentes. O forte São João e o fortim de Nossa Senhora do Carmo foram reformados. O forte São João foi construído no início do século XVIII para ser uma proteção contra os ataques estrangeiros, atualmente o espaço é a atual sede da Secretaria de Esportes e Lazer. O início do processo de defesa se deu quando em 1592 o pirata inglês Thomas Cavendish estava perto de Vitória, a população improvisou uma base no morro do Penedo e Vigia que foram desativados. Foram edificados o Forte São Tiago (hoje é chamado de São Diogo e o fortim de Santo Inácio (também chamado de São Maurício). 

No início do século XX foi um momento de euforia e prosperidade econômica. A partir do ciclo do café várias melhorias foram feitas na ilha, foram feitos aterros na parte baixa da cidade, alterando o formato da ilha e o saneamento básico foi melhorado. Foi construído o prédio de bolsas de valores do Espírito Santo. Em 1910 houve o surgimento de empresas exportadoras, destaque para Vivaccqua & Irmãos. No governo de Florentino Avidos que foi feito uma ponte ligando a capital ao continente. Nessa primeira fase cafeeira a renda aumentou, os imigrantes que se estabeleceram colônias na região central mandavam o café para Vitória e a maior parte da produção iam para o exterior a partir das casas de comércio.

Século XX no espaço urbano de Vitória

Em meados de 1960 deu-se o início da industrialização do estado, no qual foi no período em que Getúlio Vargas assumiu o governo Brasileiro neste período a economia do Espírito Santo era baseada na cultura do café, logo que assumiu o poder Getúlio indicou como interventor do estado Punaro Bley, uma vez que o então governador do estado Aristeu Borges tinha apoiado Júlio Prestes.

Empossado como interventor do estado Punaro Bley ficou no governo do Espírito santo no período de 1930 até 1943 e seu governo ficou marcado pelos investimentos na saúde e em sanar as finanças do estado, que não eram das melhores, a economia se movia ainda neste período pelo café.

Neste período foi construído o Quartel de maruípe, a Santa Casa, o hospital infantil, foi implementado as linhas do bonde (um marco é o viaduto Caramuru, que foi criado em 1925, mas foi utilizado com maior intensidade quando foi colocado os bondes para sua circulação) entre outras obras e investimento em saneamento e segurança.

Logo após o fim da Era Vargas o primeiro governador a ser eleito democraticamente no estado é Carlos Lindemberg que vai ficar no poder de 1947 até 1950 em que seu governo vai ser caracterizado pelo apoio à agricultura e o processo de expansão do norte do estado, seu governo ficou marcado pelas construções de usinas hidrelétricas.

Jones dos Santos Neves foi eleito em 1951 e tinha como principal meta a industrialização do estado, foi um governador que teve grande destaque à frente do estado, o governo passou a intervir diretamente na economia, afim de que pudesse dar um arranque/ impulso na mesma. No período em que ficou no poder, fez melhorias no porto de vitória, para que o mesmo pudesse receber maiores navios e em mais quantidades e estruturas para poder transportar mais produtos, no setor elétrico fundou inúmeras hidroelétricas (Rio bonito e suíça), fez obras nas rodovias estaduais (asfaltamento), além de uma das principais e para mim a que deu grande destaque, a criação da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) e a escola Politécnica, afim de qualificar a mão de obra no estado afim de desenvolver o estado.

Francisco Lacerda assume o estado EM 1955, e tem como principal bandeira o incentivo a área rural e teve como principais feitos o desenvolvimento da agricultura e o fortalecimento da agroindústria, o café era o que movia a economia do estado, porém durante o governo de Lacerda ocorreu que o café capixaba foi acusado de conter pragas, o que leva a uma crise na economia cafeeira naquele período, acaba que o café é erradicado por conta disso e como consequência, várias famílias perdem seus lares e são obrigados a migrarem para locais onde existe necessidade de mão de obra (grandes centros) provocando o que se diz êxodo rural.

Carlos Lacerda assume o governo em 1959, em seu segundo mandato ocorre a criação do porto de tubarão e a federalização da UFES, é o último governo democrático antes de ser decretado o golpe de estado, que é quando os militares assumem o governo.

No período de 1930 a 1960/63 a economia do estado era baseada na agricultura (café), nesse período o estado começou a se desenvolver, investimentos foram feitos e isso fez com que aos poucos a agricultura deixasse de ser o centro da economia do estado, e assim aos poucos a indústria foi sendo incorporada, afim de deixar de ser dependente somente da cultura do café, nestes 30 anos os governadores do estado tomaram medidas e investiram para que o estado se desenvolvesse, mas não de forma brusca, o desenvolvimento se deu com maior intensidade no governo de Francisco Lacerda, pelo fato de industrias estarem vindo para o estado e a crise da cafeicultura.

Logo após a economia cafeeira do estado começar a cair em descrédito, pelo fato de que o café capixaba era um café que suas plantações tinham pragas optou-se por erradicar os cafezais do estado, assim acabou por gerar grande crise no estado, até porque a economia do estado era movida pela agricultura e o café era o que movia mais de 50% da economia naquele período, após a erradicação dos cafezais houve migração dos trabalhadores/pequenos produtores para os grandes centros industriais, que iam em busca de trabalho nas grandes cidades, já que nos campos já não havia trabalho.

Logo depois ou no meio deste período o estado começava a se industrializar, e também nesse período ocorreu o golpe de 64, no qual os militares assumem o poder, durante o período em que os militares ficaram no poder o estado teve um boom, o estado começou a receber investimentos com maior nesse período, durante o governo militar o governo criou o PND (Plano nacional de desenvolvimento) no qual “O principal objetivo do PND era preparar a infraestrutura necessária para o desenvolvimento do Brasil nas décadas seguintes, com ênfase em setores como transportes e telecomunicações, além de prever investimentos em ciência e tecnologia e a expansão das indústrias naval, siderúrgica e petroquímica.” No espírito santo a CVRD, CST, Aracruz e Samarco foram criadas, principalmente no setor de mineração e eucalipto. No setor de mineração a vinda para o estado se deu pela proximidade de vitória com o oceano, pois seria mais próximo para minas mandar seu minério para ser exportado para outros centros e o estado já tinha um porto, o que já agilizou bastante o processo de desenvolvimento e industrialização do estado

Durante esse período o estado conseguiu estabilizar sua economia, deixar de depender somente da agricultura, diversificou a mesma, com a presença destas novas indústrias no estado houve uma migração de pessoas para os grandes centros, o que acabou por dar origem a grande vitória, pois os polos industriais se localizavam próximo a capital, a partir de então Serra, Cariacica, Viana e fundão começaram a ser habitados por pessoas que vinham em busca de trabalho nestes polos industriais.

Durante o período que foi entre mais ou menos 1964 e meados de 1980 o estado desenvolveu-se bastante, tanto pelas propostas do PND como por necessidade de o estado diversificar sua economia, durante o governo militar houveram várias represálias dos militares com quem defendia a república, os militares instalaram no período em que estiveram no governo do estado a SNI (Serviço nacional de informação), no centro de vitória, na praça Costa Pereira, ao lado do teatro Carlos Gomes, hoje na praça Costa Pereira tem um memorial que é para lembrarem das pessoas que sofreram tortura e até mesmo foram mortos no estado, é o Memorial “Pessoas Imprescindíveis” que é um monumento em homenagem aos militantes políticos capixabas, mortos e desaparecidos durante o período da ditadura militar no Brasil.

Contradições e riquezas na contemporaneidade

Por causa dos grandes investimentos, a capital do Espírito Santo é uma das cidades mais ricas do país, mas que não foge do contexto brasileiro de grandes desigualdades sociais. Pelos dados do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 2010 a cidade de Vitória é segunda capital com maior qualidade de vida, tendo um desenvolvimento considerado muito alto. A cidade está em primeiro lugar entre as capitais com o maior PIB per capita com um valor em média de sessenta e quatro mil reais. A elite das grandes empresas e do setor público devem puxar a renda para cima. Mesmo com bons dados desses indicadores a realidade não se mostra tão próspera para todos que habitam a cidade.

Há muitos problemas que precisam serem resolvidos. O centro histórico está sucateado e não é muito explorado. Em Vitória ainda não se resolveu o problema de prédios abandonados na cidade, enquanto famílias que moram em zona de risco esperam um local mais seguro para morar. Os significados do passado não devem ser apagados e é preciso um esforço para que isso não ocorra. O processo de verticalização da cidade se deu em um espaço aonde poderia estar uma riqueza cultural para a melhor visualização do passado e da própria identidade histórica. A segurança apenas abrange parcela da população e não chega para certas regiões da cidade, na periferia é o trágico que rege e dita as leis. Os índices positivos podem enganar, mas Vitória é a capital com mais feminicídios no Brasil. A cidade parece sempre estar no topo das pesquisas, sejam elas boas ou ruins, isso mostra o contraste do cotidiano.

O Brasil depende muito das exportações de primários para conseguir captação de moeda estrangeira, a lógica econômica de Vitória é uma expressão dessa dinâmica. Uma cidade voltada como ponto de contato para o comércio externo. Isso se pode observar nos seus portos. O produto comercializado mais evidente é o minério de ferro. Isso causa até um grande problema que ainda não foi resolvido, que é o pó de minério de ferro emitido pela Vale. A riqueza que transita pela cidade pode ser vista pelos bairros nobres, mas estes são enclaves cuja cidade está mergulhada em um mar de misérias e hinterlândias.

Muitos avanços foram feitos nos últimos anos em prol para a melhoria da qualidade vida, mas houve muitas perdas com a crise econômica que assola toda a nação. É importante sempre haver um redesenho da cidade para que tenha mais inclusão social.

Primeira e Terceiro tópico escrito por Ramon Cristian

Segundo tópico escrito por João Paulo Coelho

 

Ramon Cristian

Estudo Ciências Econômicas na UFES. Sou apaixonado pela cultura asiática. Pretendo ensinar, mas sem deixar o espírito empreendedor de lado. Quero me especializar na área financeira ou desenvolvimento econômico. Sou fascinado por todos os temas que mostram a expressão humana, como arte, literatura, cultura e moda.