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Transição de república para morar sozinho

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Quando mudei de cidade, longe de qualquer familiar e vendo que teria total responsabilidade de tudo. Foi uma experiência que decidi enfrentar, pois saberia que seria muito importante para o meu desenvolvimento. Como não tenho condições financeiras para viver nos melhores bairros, a primeira opção foi buscar uma república. Parece uma loucura morar com pessoas com quem nunca tive contato na vida. E realmente é uma loucura. Fui morar com um equatoriano, uma colombiana, um camaronês e com outro brasileiro. Encontrei este lugar através de grupos do Facebook. 

Quando cheguei saberia que minha mãe ia ficar louca, pois o apartamento era bem velho e não era tão limpo como minha casa que dava até para ver o reflexo no chão. Duas coisas fiz muito de errado que eles brigavam muito comigo com razão. A máquina de lavar lá de casa está em perfeito estado, então quando abre a torneira para enchê-la, quando chega no nível programado, como é normal, ela para de encher. Mas na república a máquina era bem velha e cheio de problemas, ou seja tinha que tomar cuidado na hora de encher, pois poderia transbordar. Como minha mente não estava programada a isso, pois não estava acostumado a lavar roupa estando sempre que prestar atenção. Acho que a máquina transbordou com água umas duas ou três vezes. E a outra coisa é que deixava alguma coisa pronta no fogão. Lá em casa sempre ia alguém comer ou se não ia comer, guardava. Minha mente também não estava condicionada a isso. E já deixei algumas coisas estragar. Não comia muito em casa, pois almoço e janto na universidade. Tive que aprender a fazer compras para uma pessoa só. 

Depois de um ano vi que a situação estava insuportável e precisava ir. A colombiana e o equatoriano eram namorados e as vezes brigavam. A relação deles era estranha no meu ponto de vista e me sentia desconfortável. Eles tinham um cachorro e deixavam ele ficar andando em todo o apartamento. O problema não é esse, acontece que ele soltava muito pelo e eles não limpavam. Me dava angústia ver os pelos. O apartamento tinha dois andares e em cima era enorme. Ou seja, o Pito (o nome do cachorro), poderia ficar lá em cima, espaço não ia faltar. Falei com eles delicadamente e acharam ruim comigo. Falaram que ele teria depressão. Mas o mais contraditório, que eles deixavam ele sair na rua sozinho! Acredito que por preguiça de passear com ele. Depois ele chegava cheio de pulgas e sempre o via coçando. Já levaram este cachorro até na praia sendo que é proibido. Falavam que iam dar de gringos que não sabiam de nada. 

Se incomodavam com coisas idiotas que não eram da conta deles. Reclamavam que eu deixava as frutas e legumes dentro do saco plástico, que isso era um absurdo. Que deveria deixar tudo fora das sacolas, que não poderia colocar dentro da geladeira. Falei que na minha casa sempre deixava as coisas dentro das sacolas e nunca deu em nada, as coisas não estragavam. Não podia passar minhas roupas em paz. Alegavam que a conta de energia estava vindo muito cara por minha culpa, porque passava minhas roupas. Tive que ver um tutorial na área de serviço de como estender as roupas para não precisar passá-las. Obviamente que ia não sair de casa mal arrumado, tive que passar roupa escondido, como se fosse um crime.

Nunce fui nacionalista, mas me incomodava o fato deles só falarem mal no Brasil. Falando que a comida daqui não é boa, que o café é péssimo. Como que alguém conseguia tomar café brasileiro. Que tudo é muito caro. Que brasileiros são estranhos. Até parece que os países deles são maravilhosos, de primeiro mundo. Se está tão ruim, por que não vão embora? Morria de medo do outro brasileiro, ele não fazia nada na casa. Moramos um ano no mesmo apartamento e ele não falou nenhuma palavra comigo. Se ele visse alguém, acelerava o passo e batia a porta. 

Minha mãe concordou comigo e que era hora de mudar, mas o principal problema era a questão de dinheiro. Através de contatos minha mãe conseguiu negociar o preço de uma kitnet. O valor da água já estava incluso, pagaria apenas a energia. Contratei um frete para fazer a mudança, mas o homem era burro demais. Marcamos um horário e nada do homem chegar. Falei para ele: em frente da igreja tal, o apartamento é em cima do restaurante tal. O cara estava indo em outra rua, sendo que não tinha como errar. Era só ler o endereço (xingo mentalmente quando lembro disso). Ele me culpou pela própria incompetência! Quando ele finalmente chegou depois de horas de atraso falou que tudo tinha que ser muito rápido, pois tinha que ir em outra cidade. Ele estava com uma cara de desânimo e vi que aquilo não ia sair bem. Então falei: Deixa isso pra lá, desisto. Cancelei o serviço dele e entrei em contato com outra pessoa. Este outro fretista (acho que escreve assim) salvou o meu dia. Ele chegou bem rápido e em um instante organizamos as coisas no caminho. Era pouca coisa, tinha uma cama, um guarda-roupa e um fogão. 

Nas semanas seguintes fui organizando as coisas. Tentei conversar com os vizinhos para ver se alguém gostaria de dividir a internet, mas não obtive sucesso. Uma vizinha me disse que não confiava em mim, que eu poderia passar a senha dela para todo mundo do prédio, fiquei com cara de paisagem e falei que se estava pedindo para dividir a internet que obviamente não iria ficar compartilhando senhas. Percebi que as pessoas que moravam perto de mim não eram nada amigáveis e decidi evitá-las. Eu tinha um problema, eu não tinha área de serviço. Dois apartamentos do primeiro andar do prédio, são bem pequenos. No caso o meu e de outra pessoa (que é filha de uma amiga da minha mãe). Este apartamentos não tem área de serviço. Mas no prédio tinha uma pequena área de serviço, ela ficou com muita raiva ao saber que usaria esta área de serviço também. Mesmo com estes problemas com as pessoas (que é quase inevitável), estou bem mais tranquilo agora e morar sozinho está me dando muita paz. 

Não recomendo morar com pessoas desconhecidas, tente ver se seus objetivos cruzam com amigos próximos ou familiares para que não se sinta desamparado. 

 

 

Ramon Cristian

Estudo Ciências Econômicas na UFES. Sou apaixonado pela cultura asiática. Pretendo ensinar, mas sem deixar o espírito empreendedor de lado. Quero me especializar na área financeira ou desenvolvimento econômico. Sou fascinado por todos os temas que mostram a expressão humana, como arte, literatura, cultura e moda.