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A revolução dos bichos e o início dos sistemas ditatoriais

A Revolução dos Bichos de George Orwell é um livro de arrepiar. O autor representa por meio de animais como que é a sociedade. Certo grupo de pessoas está em certa situação, em um estilo de vida precário. O ambiente e a precariedade levam ao surgimento de uma revolução. A revolução em um primeiro momento parece a saída que melhorará a vida de todos, isso pode até ser verdade em um primeiro momento. A questão é, quem comanda esta revolução. Os líderes do novo governo parecem que estão a favor da liberdade e do povo, mas com o ganho de poder isso não se torna verificável.

O novo governo diz que tudo vai ser diferente, que um novo nível de prosperidade chegará e que as coisas vão melhorar. Novas leis são formuladas, leis estas que não serão seguidas e modificadas com o passar do tempo. A suposta igualdade inicial se mostrará falsa, o novo sistema pode ser tão desigual como o anterior ou estar em uma condição pior do que antes.

Há uma necessidade de mostrar para o mundo que tudo está correndo bem e que há muita riqueza dentro daquela sociedade. Um fator muito importante para sustentar o poder é mostrar que há inimigos que querem dificultar o desenvolvimento daquela sociedade e que eles atrasam certos planos. O inimigo é irreal, mas ninguém sabe disso, ele começa a ser real na mente coletiva.

Com o passar do tempo nascem novas gerações mergulhadas naquele modo de vida, com os anos há um esquecimento de como se formou tudo aquilo e a nova dinâmica se torna natural, como se em toda a história a organização social foi daquela maneira.

O livro vale muito a leitura, conteúdo riquíssimo. O autor foi bem acuradíssimo em descrever como são os sistemas ditatoriais, principalmente aqueles em países onde teve ideais voltados ao socialismo.

Como a repressão social afetou a minha vida

As crianças possuem uma sensibilidade maior, pois o processo de repressão é menor. Com o passar dos anos, o ego vai ganhando mais espaço. Lembro de várias coisas que fui perdendo com o tempo. 

repressão social - Como a repressão social afetou a minha vida

Mesmo tendo 19 anos, eu lembro muito bem como era os meus sentimentos e minha mentalidade quanto era criança. Lembro da leveza que era até a era de sofrimento que passei quando meu pai retornou com a minha mãe. 

Eu tinha sonhos muito vívidos, podia sonhar e ver novos mundos. Sonhava frequentemente como uma espécie de uma cidade medieval, o lugar era vazio, eu me divertia muito voando os céus nos tons púrpuros daquele lugar. Por muito tempo me senti acompanhado por alguém que sempre estava o meu lado, sempre perguntava coisas para esse ser. Uma vez embaralhei várias cartas, coloquei todas elas para baixo e perguntava esse ser quais eram os pares, surpreendente sempre encontrava os pares. Por uma crença religiosa, fui ignorando e suprimindo essa energia espiritual, comecei a acreditar que tudo isso era criação da minha mente. Passei a ter medo de ficar sozinho, pois sentia que estava sendo vigiado. 

O mundo da magia era muito presente na minha vida. Acreditava em fadas e ajudadores não humanos. Falava com as plantas e tinha uma conexão mais profunda com a natureza. Só que não conseguia interpretar este universo não visível. 

Sempre tive uma conexão muito grande com a prosperidade, mas fui reprimido, como desejar o melhor fosse errado e que deveria aceitar a realidade (de pobreza). Estou fazendo renascer esse sentimento e empoderando a prosperidade dentro de mim, as barreiras limitantes não me impedirão mais. É estranho como as pessoas são presas ao ego de maneira tão intensa. 

Tudo que vivi foi muito importante para entender vários intensidades de padrões energéticos, me sinto mais preparado para ajudar a novas gerações a se libertarem de padrões que deixam a vida menos saudável e estagnada. 

Como fui excluído socialmente por causa do futebol

No Brasil, saber e gostar de futebol é algo muito importante socialmente (principalmente para os homens). Eu nunca gostei de futebol e nunca me interessei por este esporte. Acontece que, em muitas amizades o principal assunto é falar sobre campeonatos, times, jogadores e tudo o que envolve estes temas. 

Não sei como está o comportamento das novas gerações, na minha infância não gostar de futebol significava ausência de masculinidade. Infelizmente ainda persiste um preconceito de que as jogadoras de futebol são masculinizadas, e por serem profissionais nesse ramo, não podem ser femininas. Cada um tem um jeito de viver, mas o que prevalece é um estereótipo que não pode corresponder a realidade. 

Toda aula de educação física os meninos ficavam eufóricos para pode jogar bola. Eu na maioria das vezes brincava com a bola de vôlei com as meninas, ou ficava sentado sem fazer nada. Com o passar dos anos, fui ficando mais sentado sem fazer nada mesmo. Aquele momento era um alívio, dá um descanso das aulas. Algumas vezes o professor de educação física realmente nos obrigava a fazer aulas, mas todo mundo não estava nenhum pouco interessado naquilo, então ele sedia. Deixava cada um jogar o que queria. 

Eu era visto como um alienígena ou um ser de um lugar muito distante. No olhar de muita gente, não era normal um garoto não gostar de futebol. Esta cultura está impregnada em todas as classes sociais e não fazer parte disso pode ser desvantajoso.

Dentro da minha família não tive nenhuma referência de alguém que era apaixonado por futebol. Quando era apresentado para uma pessoa nova, em muitas vezes, umas das primeiras perguntas era para que time que eu torcia. Falava que não torcia para nenhum. Muitas vezes a reação era uma cara de espanto. Uma vez estava na cidade da minha avó materna, o nome do lugar é Corinto. Me perguntaram para que time eu torcia. Na hora inventei Corinthians, pois na minha cabeça de criança, o time tinha relação com a cidade. Fiz isso, pois desse modo pensava que as pessoas iam me perturbar menos por causa de futebol. 

As pessoas têm que entender que existem milhares de esportes, não precisamos ficar presos em um. Não sou melhor ou pior que ninguém por gostar de algo ou não. Quando estamos dentro de um padrão, é difícil enxergar como é o jeito de viver de quem está do lado de fora. Para quem ama, acompanha ou é fanático por futebol, pode parecer muito estranho quando encontra alguém que não se interessa pelo tema. 

Sei que temos mais empatia por pessoas com gostos mais parecidos. Acredito que devemos ceder um pouco mais de tempo para conhecer os outros. É muito errado fazer julgamentos com  base no esporte que a pessoa gosta ou não. Devemos explorar um pouco o mundo do esporte e descobrir novas coisas. Ficar preso apenas em um tipo de atividade fecha muito a cabeça em um mundo particular. Ninguém deveria ser pressionado a gostar de algo, isso deve ser espontâneo. 

Porque queremos olhos azuis? Privilégios da branquitude

No Brasil vivemos uma hierarquia racial e não tem como negar isso. Vemos o racismo sempre no outro, mas nunca em nós mesmos.

A partir dessa palestra, me vi pensando e comecei a mapear o processo de racismo que vi e que foi sendo construído dentro de mim. Sou filho de família negra, com mãe negra e também sou negro, mas a falta de representatividade a minha volta sempre fez com que eu não desejasse ser vinculado em uma identidade negra. A pesquisadora mostrou que a branquitude possui privilégio e isso está presente na minha vida desde sempre. 

Tudo começa na escola, já vemos uma hierarquia a partir daí. Na maioria das vezes, os níveis mais altos das instituições de ensino são ocupados por pessoas brancas, até hoje nunca vi um diretor ou diretora de escola que fosse negro ou negra. Raras as vezes que vi professores negros e praticamente não tive aulas com professores com a pele mais escura. A maioria dos funcionários da cozinha e da limpeza são pessoas negras. Isso já deixa uma impressão na mente das crianças de como a sociedade é organizada. 

Ainda na escola, aprendi que nome europeus são mais privilegiados e que a história da Europa se torna muito evidente durante o período do ensino básico. Se a pessoa for negra e tiver um nome de origem europeia, as pessoas podem começar a olhar aquele indivíduo de outra maneira, pois ela pode ter um traço caucasiano. Isso já são indícios do poder que a branquitude tem.

As pessoas mais cobiçadas da sala, na maioria das vezes são os brancos. Em muitas turmas em que tive aula vi que algumas pessoas brancas não se enturmava com pessoas negras e vice-versa. Aprendi que pessoas brancas são mais bem tratadas, possuem mais oportunidades de empregos, de sucesso, de fama e que são referência de beleza. 

As pessoas desejam ter olhos azuis ou verdes. É cobiçado ter os cabelos loiros ou ruivos, a igreja que frequento quase todas as mulheres pintam o cabelo de loiro, é uma coisa surpreendente. Muitas pessoas negras não aceitam terem cabelos crespos, pois isso é visto como feio pela sociedade. 

Aprendi que o racismo é transmitido culturalmente e vai passando de geração para geração. Nós somos responsáveis por manter esse sistema. Muitos grupos negros pensam que a maioria das pessoas brancas são opressoras, mas não vejo dessa forma. Qualquer forma de preconceito é mantido por uma sociedade como um todo. 

Uma forma de minimizar e destruir o racismo e o preconceito é a representatividade. Quando as crianças veem como é o processo social, elas crescerão e verão aquele sistema como natural. Devemos ter mais negros em outras posições além dos de baixa qualificação. A luta deve ser  para haver mais inclusão de negros e seguir profissões como professores, diretores, engenheiros, reitores, artistas, modelos, escritores e etc. Isso não se aplica apenas aos afrodescendentes, mas para qualquer grupo que de alguma maneira é inferiorizado. 

A educação é uma das melhores formas da sociedade se tornar mais homogênea e uma arma poderosa para dissipar a ignorância e agregar sabedoria.