Pressão para ter excelência acadêmica

Como comecei a estagiar, tive que fazer todo um trâmite burocrático para registrar o meu estágio. Uma professora conversou comigo falando que o limite de reprovação é uma matéria. Isso me deixou preocupado, este semestre estou tendo aulas com alguns professores considerados difíceis de passar. 

Agradeço a todos que me ajudaram a tirar uma nota boa em Estatística I para iniciar bem o semestre. Na próxima semana já começa a maratona de provas e devo fazer de tudo para passar nas disciplinas. Meu objetivo é focar principalmente em Macroeconomia III e Microeconomia II.

Fonte: mercadolivre.com

O professor de Microeconomia passou alguns exercícios em inglês, até consegui achar algumas coisas, mas o material para acessar tem que pagar. ‘-‘

Vou fazer o máximo para não entrar em desespero e ter inteligência emocional para lidar com as metas que tenho que entregar. Abri mão de muitas atividades para ter mais tempo para aquilo que é prioritário. Vou deixar para estudar Mandarim apenas nas férias. 

Fazer Economia não é fácil e não é para qualquer um. A maioria dos professoras não tem domínio de didática e fica difícil entender algumas coisas que muitos deles falam. Muitas vezes a matéria nem é difícil, mas pelo professor não saber transmitir as informações, se torna algo muito difícil de compreender. 

Espero trabalhar duro e colher frutos no final do semestre. Ainda estou procrastinador, mas sinto que a vitória contra esse inimigo está perto. Todas as atividades que me fazem desviar do foco de estudar estão sendo neutralizadas. Já me desapaguei quase que completamente do celular. As redes sociais sempre tem as mesmas coisas e praticamente não estou horas navegando em feed de notícias. Já estou enjoando de Youtube. Estou afunilando as minhas atividades e está ficando mais fácil estudar. 

Para manter este estágio tenho que estudar muito e vencer esta etapa. 

Espírito Santo: O terror que não termina

A situação do Espírito Santo infelizmente continua a mesma. O governo estadual e a polícia militar não chegaram em um acordo. O polícia civil também ameaça parar se as suas reivindicações não forem atendidas. 

A bandidagem não se sentiu ameaçada com o exército. Eles viram que as forças federais não estão matando ninguém e continuam a cometer os crimes. Se a situação continuar caótica para os próximos dias, acredito que a mão deles em cima dos vagabundos vão pesar. A ordem pelo jeito vai demorar mais do que o previsto para ser retomada. 

A maioria dos representantes capixabas na política estão quietos e não deram qualquer tipo de pronunciamento. Os professores da UFES que defende que a polícia não deve entrar dentro da universidade também desapareceram. Com tudo isso aprendi que não é loucura se precaver em certas coisas. Para a normalidade sair dos trilhos e viver um filme de terror não demora muito. A tranquilidade é algo muito frágil no Brasil.

A situação está tão terrível aqui que até foi parar nos noticiários internacionais. Aprendi isso já faz alguns anos, se você realmente quiser saber o que acontece no seu país, a melhor maneira é olhar as notícias internacionais. Não pode parecer, mas o nosso nível de censura está em um grau preocupante. Pode-se perceber que alguns assuntos praticamente só se encontra na internet, mas nunca será televisionado.

Em alguns lugares já começa a faltar comida no supermercado e algumas prateleiras já estão vazias. Os ônibus ainda não voltaram a circular e amanhã parece que tudo ainda vai ficar parado.

Imagino no prejuízo que a comunidade vai ter em 2017, a esperança de superar a crise parece mais distante diante desses acontecimentos. Espero que em breve não precisar mais escrever mais diários de terror que nós que moramos no Espírito Santo estamos passando.

O ibope das celebridades vazias e o ocultamento da intelectualidade

É triste saber como que a mídia se configura. É grande o ibope para pessoas que não fazem nada de importante. Cientistas, professores, policiais e outros profissionais que lutam para deixar o dia melhor são simplesmente esquecidos. 

Algumas celebridades nem são agradecidas as próprias pessoas com que fazem que elas sejam famosas. É muito insano ver casos de algum famoso cuspir ou bater em fãs, e tais fãs ainda amarem e seguirem o ídolo da vida delas. Está precisando de mais amor próprio no mundo e uma autovalorização dentro da nossa sociedade. 

Devemos focar mais as nossas atenções para quem faz coisas mais importantes. Muitos artistas que estudam por vários anos, se qualificam e se esforçam por ter amor no seu trabalho não são valorizados. Os nossos cientistas não são apoiados e muitas vezes são mais valorizados no exterior (por isso muitos decidem realizar suas pesquisas fora do Brasil). Coitado dos policiais, que tem um salário péssimo, não são valorizados e odiados por parte da população. Os professores que são a base de todo o sistema, são tratados como lixo e não tem o respeito que merecem. 

A população por outro lado, trata os cantores de música lixo como deuses. Tem mulheres que simplesmente fazem sucesso por mostrar a bunda na televisão e isso é tratado como normal. As crianças crescem vendo um conteúdo totalmente promíscuo e acreditam que aquilo que é o sucesso. Algo tem que ser feito para quebrar este ciclo de criar uma nação de gente de cabeça oca. 

É um pouco preocupante quando sai algum material em uma revista ou um site famoso mostrando quais são os conteúdos mais acessados pelos brasileiros. É um pouco chocante saber dos sites, músicas, vídeos, programas e algumas celebridades que as pessoas mais gostam. 

A cada ano percebo que o processo de alienação e a criação de zumbis não é um conto de fadas, é um processo real e visível. Muita gente não consegue se libertar de estilo de vida infortunado que segue certa linearidade. Um bom indicador do processo de alienação e emburrecimento em massa é o surgimento e a popularização de celebridades vazias, e como este conteúdo vazio é maior do que conteúdo de enriquecimento cultural útil. 

Vivemos em um país de renda média, onde se possui uma camada considerável da população na pobreza ou extrema pobreza. O contraditório é que, a cultura da ostentação se tornou importante para a vida de muitas pessoas. As celebridades vazias fazem muitas pessoas desejarem coisas que elas não têm condição de comprar ou ter. O pouco que tem, que poderia ser investido em empreendedorismo, educação ou em uma poupança de segurança para se proteger de situações imprevistas. Conteúdo vazio faz com que haja uma indução ao consumo em coisas que não são necessárias e que pode pesar no orçamento. Em Economia temos um termo para designar este tipo de comportamento, que se chama efeito demonstração. Este tipo de problema existe há muito tempo, principalmente na América Latina. Hoje, pode-se traduzir efeito demonstração para uma palavra mais atual, a famosa ostentação.

Porque queremos olhos azuis? Privilégios da branquitude

No Brasil vivemos uma hierarquia racial e não tem como negar isso. Vemos o racismo sempre no outro, mas nunca em nós mesmos.

A partir dessa palestra, me vi pensando e comecei a mapear o processo de racismo que vi e que foi sendo construído dentro de mim. Sou filho de família negra, com mãe negra e também sou negro, mas a falta de representatividade a minha volta sempre fez com que eu não desejasse ser vinculado em uma identidade negra. A pesquisadora mostrou que a branquitude possui privilégio e isso está presente na minha vida desde sempre. 

Tudo começa na escola, já vemos uma hierarquia a partir daí. Na maioria das vezes, os níveis mais altos das instituições de ensino são ocupados por pessoas brancas, até hoje nunca vi um diretor ou diretora de escola que fosse negro ou negra. Raras as vezes que vi professores negros e praticamente não tive aulas com professores com a pele mais escura. A maioria dos funcionários da cozinha e da limpeza são pessoas negras. Isso já deixa uma impressão na mente das crianças de como a sociedade é organizada. 

Ainda na escola, aprendi que nome europeus são mais privilegiados e que a história da Europa se torna muito evidente durante o período do ensino básico. Se a pessoa for negra e tiver um nome de origem europeia, as pessoas podem começar a olhar aquele indivíduo de outra maneira, pois ela pode ter um traço caucasiano. Isso já são indícios do poder que a branquitude tem.

As pessoas mais cobiçadas da sala, na maioria das vezes são os brancos. Em muitas turmas em que tive aula vi que algumas pessoas brancas não se enturmava com pessoas negras e vice-versa. Aprendi que pessoas brancas são mais bem tratadas, possuem mais oportunidades de empregos, de sucesso, de fama e que são referência de beleza. 

As pessoas desejam ter olhos azuis ou verdes. É cobiçado ter os cabelos loiros ou ruivos, a igreja que frequento quase todas as mulheres pintam o cabelo de loiro, é uma coisa surpreendente. Muitas pessoas negras não aceitam terem cabelos crespos, pois isso é visto como feio pela sociedade. 

Aprendi que o racismo é transmitido culturalmente e vai passando de geração para geração. Nós somos responsáveis por manter esse sistema. Muitos grupos negros pensam que a maioria das pessoas brancas são opressoras, mas não vejo dessa forma. Qualquer forma de preconceito é mantido por uma sociedade como um todo. 

Uma forma de minimizar e destruir o racismo e o preconceito é a representatividade. Quando as crianças veem como é o processo social, elas crescerão e verão aquele sistema como natural. Devemos ter mais negros em outras posições além dos de baixa qualificação. A luta deve ser  para haver mais inclusão de negros e seguir profissões como professores, diretores, engenheiros, reitores, artistas, modelos, escritores e etc. Isso não se aplica apenas aos afrodescendentes, mas para qualquer grupo que de alguma maneira é inferiorizado. 

A educação é uma das melhores formas da sociedade se tornar mais homogênea e uma arma poderosa para dissipar a ignorância e agregar sabedoria.