Vida cansativa – Evoluir para o próximo passo

Nestes últimos tempos minha vida anda muito cansativa. Conciliar estudo e trabalho não é uma coisa fácil. Muitos brasileiros e pessoas ao redor do mundo fazem isso para garantir um futuro melhor. Mais do que nunca é necessário me organizar para não ficar enrolado, não quero atrasar mais nenhuma atividade pendente. Estou aproveitando alguns lapsos de tempo, que não aproveitava.

Quando estou na fila do restaurante na universidade, estou aproveitando para ler um livro (A fila às vezes demora uns 15 minutos). Leio quando espero o ônibus, às vezes quando dá, leio dentro do ônibus. Quando o ônibus está muito lotado e quando tenho que segurar as barras com as duas mãos, escuto uma música binaural (quero fazer isso mais vezes em momentos de ócio) e tento prestar atenção na minha respiração. Agora é comum muitos vendedores entrarem dentro dos coletivos, principalmente pelo fato de desemprego estar num patamar bem elevado. Alguns conta suas histórias de vida tristes e como estão sofrendo (não tenho como saber se as histórias são verdades ou não). Estes depoimentos e conversas negativas que as pessoas falam, sinto que estas situações de certo modo, suga a minha energia. 

Estou tentando simplificar a minha rotina. Aprendi com as pessoas que estão no caminho da iluminação que não sou obrigado a me conectar com energias que não me fazem bem e que não tenho afinidade. Dizer não, deixa as coisas menos cansativas e menos penosas. 

Já sinto que estou evoluindo para o próximo passo, só pelo fato de ter coragem de me afastar de certas coisas e situações. Estou tendo consciência como que a minha realidade está mudando e como minhas relações estão indo para outro caminho. Não precisar mais de aprovações sociais, é como retirar uma mochila cheia de pedras das costas. Com o tempo, esta vida cansativa vai ser apenas passado. 

A experiência de andar de ônibus – Nova realidade

Para quem acompanha um pouco da minha rotina, sabe que, normalmente saio de bicicleta para onde devo ir. Agora como vou começar a estagiar em outra cidade, vou ter que começar a pegar ônibus. Quando comecei a estudar em uma escola muito longe há algum tempo atrás, tinha que pegar ônibus para ir à escola, mas preferia ir andando, pois dava o mesmo tempo, mas chegava na escola muito suado. 

Fonte: folhavitoria.com.br

Dessa vez a minha única opção é o ônibus. Estar dentro de um ônibus não é algo muito agradável. O ônibus municipal de Vitória não é tão ruim, pois não vejo muitas pessoas estranhas e a viajem é mais tranquila. Já as linhas intermunicipais possuem um ambiente mais precarizado. Já peguei gente com música alta dentro do coletivo, é mais comum ver alguns pivetes (e adultos) pulando roleta. O cheiro também é bem ruim. 

A ida para o estágio é mais tranquila, tem mais estudantes e pessoas indo trabalhar. A volta para casa tem o clima mais pesado. O trânsito agarra um pouco e tem alguns seres estranhos dentro da linha. 

Vejo que as pessoas estão muito descuidadas. Vi várias pessoas com celulares caros expostos ouvindo música como se estivéssemos vivendo em um país seguro. Depois que fui assaltado, não dou mais nenhuma bobeira. 

Um lado positivo do estágio é que o prédio é muito próximo do terminal. Posso ir andando até o terminal sem problema algum. O engraçado de morar na Grande Vitória é que sempre se encontra um conhecido na rua. Lá no terminal vi um rosto conhecido e peguei ônibus com as mesmas pessoas do dia anterior. 

Toda vez que pisar naquele terminal vou pedir proteção e que toda viagem que realizar seja tranquila. Vou tentar prestar mais atenção no trajeto para melhorar meu senso de direção. 

Passeio na Pedra de Cebola e Praia da Costa

Hoje fui com a tia da minha mãe passear um pouco pela região metropolitana de Vitória. Tinha planejado levá-la para conhecer o parque Pedra da Cebola e dar uma volta na UFES. Pegamos o ônibus para ir no parque na parte da tarde. Quando chegamos no local fiquei preocupado, vi tudo fechado e não vi ninguém. Normalmente sempre tem ambulantes realizando vendas na entrada do local. Depois vi que entrou uma pessoa por um portão pequeno, depois disso vi que lá estava aberto. 

Pela primeira vez vi lá tão vazio. De fato, as ruas estavam praticamente desertas. Dentro do parque tinha algumas crianças brincando nos parquinhos. Tia Do Carmo tem um problema no joelho e não conseguiu caminhar muito. Ela ficou sentando no banquinho e tirei algumas fotos. Tomamos água de coco, ficamos sentados lá por um tempo e depois fomos embora. 

Parque Pedra da Cebola

O nosso próximo destino foi a Praia da Costa. Não sei muito bem pegar ônibus. Pegamos um que deu uma volta enorme por Vitória e Vila Velha, acabamos parando no terminal do Ibes. No terminal eu perguntei se tinha algum ônibus que ia para a Praia da Costa, o moço me disse que o ônibus que estava chegando passava na Praia da Costa. Subimos no bendito ônibus, ele deu uma volta enorme e fomos para no terminal de Vila Velha. Depois finalmente chegamos à praia. Durante o trajeto um monte de gente pulou a roleta. Tia Do Carmo ficou assustada, eu disse que eram as pessoas que moravam nas comunidades de Vila Velha. Na praia andamos um pouco no calçadão, comemos esfirra e andamos mais um pouco. Depois quando estava anoitecendo, fomos embora. Finalmente consegui pegar os ônibus correto e conseguimos chegar mais rápido em casa. 

Praia da Costa em Vila Velha

Foi muito bom o passeio e percebi preciso sair mais. E preciso sair em lugares com pessoas que tenho empatia. 

Passeio no Shopping Vitória e dificuldade em pegar ônibus

Hoje sai com a tia da minha mãe e fomos passear um pouco. Por ser um lugar mais acessível, fomos ao shopping. Ela tem problemas no joelho, então a levei em lugar que precisasse de menos esforço para andar. O bom que tem um ponto de ônibus perto de casa. Foi praticamente atravessar a rua e pegar o ônibus. Sempre fico confuso que lado da rua que é para pegar o ônibus. O transporte público de Vitória demora um século para passar, a partir de agora, quando precisar usar ônibus para me locomover, vou ver os horários. 

Nós rodamos o shopping e vimos alguns produtos de algumas lojas. Vi que algumas roupas masculinas estão bem baratas, vale mais a pena ir na loja e comprar do que pedir por internet (o que mais pesa é frete dos Correios). Depois de um tempo andando pelos corredores, fomos comer. Pedi um lanche do Giraffas, estava com muita vontade de experimentar o lanche de lá, pois nunca tinha comido nada da marca. O lanche de lá é gostoso, não é gordurento que nem outras redes de fast-food. A minha tia-avó tomou um chopp em outro estabelecimento. Ela viu um monte de gente comendo franguinho no espeto e falou que em Belo Horizonte ela nunca viu em Shopping. Eu disse que no Espírito Santo tem uma franquia que se chama Zé Coxinha onde vendia um monte de salgados. Ela pediu um espetinho e mini-churros, eu bebi um suco de goiaba. 

Fiquei curioso em ir na loja da L’occitane, os produtos me surpreenderam pela qualidade, o preço é bem caro, mas usar um perfume deles parece que vale a pena. A loja que representa os produtos do Brasil tem produtos maravilhosos, não gostei muito da linha francesa (e a atendente da loja francesa não foi muito simpática também). Depois fomos na Americanas, compramos umas coisas e fomos embora. Quando saímos já estava bem tarde. Estava com medo de perder o ônibus. O ônibus municipal demora um século para passar. Pegamos o transporte coletivo da região metropolitana, fomos para a cidade da Serra, paramos no terminal, pegamos outro ônibus e paramos perto de casa.

Tia-avó Maria do Carmo no Shopping Vitória

Meu processo no alistamento militar em Vila Velha

Eu não tinha nenhuma intenção de entrar no exército, já até pensei em um momento da minha vida se valeria a pena entrar na marinha. Ser militar não é para mim, prefiro ser civil. Admiro muito o trabalho das forças armadas, da polícia e profissões ligadas a defesa da população, mas decidi seguir a área acadêmica, tem mais haver comigo. 

Quando tinha 17 anos fui em uma cidade vizinha de Vitória (Vila Velha neste caso) para participar do processo militar. Isso me deixou com muita raiva, pois perderia algumas aulas por causa disso, perdi até uma prova de uma matéria, mas conversei com o professor, ele felizmente entendeu o caso e me deixou fazer em outro momento. E perdi pontos, a professora de técnica de pesquisa em Economia disse que quem não faltasse nenhum dia ganharia um ponto extra, infelizmente não foi contemplado com essa nota. 

Sou a pessoa mais perdida do mundo e não sei pegar ônibus de jeito nenhum. Só sei pegar um ônibus na minha vida. Os outros ônibus consigo pegar para voltar para casa, pois é bem simples. Em Vitória os ônibus só tem dois caminhos para ir para a cidade da Serra, os ônibus que vão beira-mar e os que passam na avenida Fernando Ferrari. Vejo na placa do ônibus se está escrito algum terminal da Serra, se não estiver escrito beira-mar, então é um ônibus que posso pegá-lo. 

Não sou rico, não é por isso que não sei andar de ônibus. Vou em todos os lugares de bicicleta, então não sou muito acostumado a andar de transporte público (até porquê o preço da passagem está muito caro). Estava com muito medo de me perder e perder o horário. No terminal vi um monte de rapazes que aparentavam ter a minha idade, então decidi seguir o fluxo. Consegui chegar a tempo e entrei dentro do quartel. Primeiro eles colocaram a gente para assistir a guarda paraquedista, não lembro ao certo o nome, era alguma coisa paraquedista. Quem se interessasse por esta área, tinha vaga no Rio de Janeiro. Depois desse “vídeo educativo”, nos direcionaram para ficar sentados em um arquibancada. Ficamos mofando lá, até a próxima ordem. Uma coisa péssima é que quase tudo estava com fezes de pombo e lá estava cheio de pombos. Odeio pombos, para mim aquilo estava sendo um terror. 

Depois da espera, muitos foram dispensados logo de cara. Os que estavam mais atrasados na escola foram os primeiros. No grupo que estava tinha uma mulher trans, ela estava com a cara mais infeliz que vi na minha vida. Infelizmente passei para a próxima fase, estava doido para ir para a aula. Depois fomos separados em grupos para passar por uma avaliação física. O soldado (acho que é soldado, não entendo de hierarquia militar) falou que deveríamos tirar a roupa, nesse momento congelei, mas era para ficar de roupa íntima (ainda bem). Olharam para nós e perguntaram se tínhamos alguma doença, só ouvi um monte de reclamações, falaram que tinham bronquite, problema na coluna, gastrite, se bobear até bicho-de-pé. O cara falou para eu virar e ficou olhando para a minha bunda, fiquei meio incomodado com aquela situação. Eu era o tipo o centro das atenções, pois não era tão gordinho ou tão esqueléticos que nem os outros rapazes e o povo ficou olhando para a minha bunda, senti que o cara que pediu para eu virar tinhas outras intenções, ele deu até um suspiro. Fui o único que não relatei nenhum problema de saúde, não tenho nada, e não vou mentir para militares né. Eles sabem dessas “doenças” dos candidatos. 

Depois passamos por um teste de visão, aqueles de criança. Achei meio desnecessário isso. A enfermeira soltou um comentário, que o soldado gostava de cortar rabo novo, aí o cara deu um sorriso safado, nesse momento pinguei suor frio e desejei ir embora o mais rápido o possível. Eles talvez fizeram isso para zoar os candidatos e deixá-los mais tensos, mas nunca se sabe. 

Aí depois ficamos em um corredor estreito e quente mofando mais um bocado de tempo. Agora tínhamos que fazer um teste de habilidades, foi um tipo uns testes de lógica e que gostaríamos de fazer dentro do exército. Não seria uma boa ideia responder esse teste aleatoriamente, pois ia ficar muito na cara a falta de interesse pelo exército. Depois que o tempo terminou, passamos por uma espécie de entrevista e o senhor me perguntou se queria entrar no exército. Disse que não queria ser militar, preferia seguir carreira acadêmica. Como não sou bobo, fui com a camisa da UFES para comover mais.

Depois fomos para a arquibancada que sentamos inicialmente e ficamos mofando mais alguns minutos. Um menino puxou assunto comigo. Ele disse: “Oi Ramon, você é de qual curso da UFES?”. Estranhei muito, ele disse de tal maneira como se fosse grandes amigos de longa data. Falei que era Economia e perguntei o curso dele. Ele disse que estudava engenharia na Multivix de Goiabeiras (perto de onde moro). Perguntei se cálculo estava difícil, ele falou que estava no cálculo básico. Eu fiquei tipo: Como assim? O menino nem tinha ideia como escrevia uma integral. Enfim, fiquei um pouco surpreso, por ele fazer engenharia e estar tão atrás (nós dois estávamos no primeiro período na época). Se tivéssemos nos conhecido em outro lugar creio que teríamos a chance de desenvolver uma amizade, ele parecia legal. 

Parecia que estava para ficar e ser chamado para voltar em outro dia. Um senhor já estava dando a instrução do outro dia, quando alguém chegou perto dele e falou que tinha outra pessoa dispensada. Fui o último a ser liberado. A roupa da universidade me ajudou muito, a tática foi bem sucedida. O soldado que estava na porta não acreditou que fui liberado do serviço militar. Ele olhou para a carteira de dispensa, olhou para mim, olhou para a carteira, olhou para mim de novo. Ele perguntou se eu tinha peixe no exército. Perguntei para ele, como assim se tinha peixe dentro do exército, estava sem entender nada. Aí ele foi claro, disse se conhecia alguém dentro do exército. Falei que não conheço ninguém dentro do exército (realmente não conheço ninguém dentro do exército). Aí ele me liberou sem acreditar que estava dispensado da experiência militar. 

Fui para a UFES com muita fome, nem comi, pois tinha ido correndo na esperança de chegar a tempo de fazer uma prova. Não deu tempo, mas fiz depois. 

Foi essa a minha experiência, não foi tão ruim como pensei. Para o mim o pior ponto foi a quadra cheia de fezes de pombo, não custava nada eliminar os pombos nojentos e limpar as arquibancadas. Boa sorte para quem for prestar o exame de seleção e desejo tudo de bom para os militares.