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Dez bênçãos pelas quais sou grato

1- Sou grato por ter a oportunidade de estudar em uma universidade federal, tendo um curso superior, posso abrir mais portas. 

2- Sou grato por ser monitor de uma disciplina na graduação, estou aprendendo a me comunicar e posso conhecer novas pessoas. 

3- Agradeço por ter minha mãe presente na minha vida, ela me ajuda muito e espero retribuir. 

4- Agradeço por ter uma moradia, sou abençoado por conseguir um lugar com água, energia, internet, gás e limpeza incluso no aluguel, e consigo pagar um preço bom. 

5- Fui contemplado em ter uma sala no prédio de Economia, onde posso estudar de maneira tranquila. 

6- Sou grato pelas pessoas a minha volta que me ensinam lições valiosas. 

7- Agradeço por estar nesse planeta, pretendo buscar os melhores modos de aprender e extrair o melhor do mundo.

8- Sou grato por ter o que comer e beber, a alimentação é um fator muito importante para manter a vida. 

9- Agradeço por ter o que vestir, de tempos em tempos, posso trocar o vestuário. 

10- Sou grato por ser jovem e ter muito tempo para poder aprender e passar algum conhecimento. 

25 de abril de 2017

1- A consciência me ajuda a caminhar e me mostra o caminho certo e errado, agradeço por este instrumento tão importante que nos acompanha durante a vida.

2- Agradeço pela chuva que chega, molha a terra e fez a vida reflorescer.

3- A invenção da internet foi algo que me ajudou a ter acesso a conhecimentos que provavelmente seria mais difícil.

4- Sou grato por ter oportunidade de aprender outros idiomas, estou agarrando esta oportunidade e quero ficar fluente em outras línguas e poder se comunicar com mais pessoas.

5- Obrigado músicos, coreógrafos e dançarinos que animam a minha vida, a arte relaxa a minha mente e me completa.

6- Todos os meus professores são muito importantes, cada um tem um jeito de ensinar uma visão e isso me ajuda a ver vários lados de uma história.

7- Sou grato por poder morar em uma das cidades com melhor qualidade de vida do Brasil.

8- Agradeço a todos que trabalham para proteger os membros da sociedade. Estas pessoas ajudam a manter certo grau de tranquilidade e evitam o caos total.

9- Agradeço a todos que tem empatia comigo e me aceitam, mesmo sendo imperfeito e tendo muito o que melhorar.

10- Sou grato, por ter um meio de preservar parte do meu tempo aqui nessa planeta.

Bênção do dia: Consegui terminar de resolver as provas antigas que a professora de Estatística nos deu como revisão.

 

 

Feriado de Páscoa que não passarei em casa

Infelizmente não consegui ir para casa nessa páscoa. Tive que ficar na república, pois não consegui carona para ir na casa da minha mãe. Ela disse que poderia comprar passagem e ir, mas se fizesse isso, tenho certeza que depois ela reclamaria de despesa, e não quero ouvir sermões sobre gastos (sendo que nem gasto muito). Estou esperando a minha vitória de ter uma renda para me sustentar. 

Queria muito ir para casa e ter a sensação de estar em casa. Morar nessa república está sendo melhor que a primeira. Aqui tem menos problemas, mas ainda não é muito confortável. Estar com a família é uma sensação totalmente diferente. E moro com pessoas totalmente diferentes de mim. 

Não adianta chorar pelo leite derramado. Aproveitei este tempo a mais e limpei meu quarto, uma faxina mais profunda que o habitual. Lavei o tapete, tive que lavá-lo, pois deixei cair chocolate nele. Coloquei a roupa para lavar. Fiz todas as revisões de Mandarim no Memrise, vou colocar todos os meus artigos em dia para não deixar o site parado e vou estudar matérias da graduação. 

Neste final de semana em Vitória-ES está tendo o Anime Dark com o tema Dragon Ball. Um rapaz que mora comigo disse que ia pegar um ingresso para mim, pois ele vai trabalhar lá, depois ele me mandou uma mensagem falando que não deu ‘-‘ . Ontem prometi que ia na academia com ele, mas vi que eu estava sem bermuda limpa (tinha colocado tudo para lavar) e desmarquei.  Ele ficou bravo, mas agora sinto que não devo nada a ninguém. Ele também furou comigo. 

O povo que mora comigo é meio problemático e vou tentar ficar mais na minha. Não são rapazes que quero fazer amizade, mas não chega ser tão ruim que não dê para conviver. Sinto que a vida está me ensinando a expor menos meus gostos para quem está a minha volta, quando faço isso sinto que fico mais vulnerável. 

Espero poder me organizar nessa páscoa. 

Como lidei com a rejeição do meu pai e família

Meu pai é uma pessoa muito problemática desde muito novo. Minha mãe decidiu se relacionar com ele, mesmo tendo todos os desafios que ela iria passar escancarados na sua frente. Não sei o que acontece, mas ela tem dificuldade de ver os impactos de suas escolhas e toma muitas decisões erradas. Espero podê-la ajudar a se libertar disso e auxiliar na sua expansão de consciência. 

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Nunca tive contato com meu pai durante muito tempo. Fui ver ele depois de muitos anos, tinha muita curiosidade de ver o rosto dele. Eu de alguma forma atraí este ser para a minha vida, tinha um desejo muito grande de ter um pai presente, mas as coisas não foram como no mundo perfeito que acreditava. 

A primeira vez que o vi foi desolador, estava sujo, descalço e bêbado. Por algum motivo, mesmo vendo aquela cena, minha mãe aceitou voltar com ele. Nós os vimos quando estávamos de férias na cidade da minha avó. Depois de algum tempo quando estávamos em casa na nossa cidade, minha mãe combinou dele morar com a gente. Sabia que aquilo não ia dar certo. Quando ele chegou, já estava bêbado e eu com muita raiva. Minha mãe tentou apaziguar as coisas, mas minha raiva seria algo que só cresceria.

Eu era a única pessoa que contrariava ele, por causa disso, ele fazia a cabeça da minha mãe contra mim. Com o tempo ela defendia ele com unhas e dentes. Ela chegou a me machucar fisicamente por causa dele (ela foi acumulando raiva de mim, chegou um momento que as coisas explodiram). Por falta de coragem, não consegui pedir para morar com outros familiares para sair daquele sofrimento. Toda vez que sinto estes dias, me dá um sentimento de frustração e falta de confiança, principalmente da minha mãe que por muitas vezes não me defendeu. Sinto que nossa relação de confiança nunca vai ser a mesma. 

Para me atacar, aquele homem falava que fazia as coisas por minha culpa. Que eu era o culpado dele beber e pelas coisas estarem naquela situação. Ele se incomodava muito comigo, falava que não deveria estar o todo tempo dentro de casa, não podia ver meus desenhos na televisão em paz e sempre arrumava algo para me atingir (que aumentou a minha baixo auto-estima). Eu fui muito imaturo para lidar com isso, mas também não tinha nenhuma experiência em conviver com alguém viciado em algo. 

Um dia finalmente chegou a data da partida dele da nossa convivência para sempre, esse momento foi um dos melhores na minha vida. Espero passar por isso nunca mais, não admito sofrer por causa de ninguém. Se minha mãe, meu irmão, futura esposa e filhos entrarem no mundo do vício, ajudarei de longe e direi adeus. 

A família do meu pai nunca quis saber sobre mim. Por muito tempo fiquei afetado com isso também. Mas hoje, vejo as coisas de uma maneira diferente. Sou grato por esses acontecimentos terem passado pela minha vida, tive lições muito preciosas e agradeço pelo aprendizado que tive. Aprendi a atrair energias melhores para mim. Não deixo ninguém me desvalorizar, eu tenho minha beleza, eu tenho minhas competências e me esforço sempre buscando uma qualidade de vida melhor. Não sou culpado pelo fracasso de ninguém, e se alguém me disser isso hoje, não vai ser algo que me afeta. Laços familiares não são tão importantes assim, pessoas fora do ciclo de DNA podem se importar mais comigo do que um familiar. 

Me sinto muito mais realizado, este sensação veio internamente, não preciso de uma manifestação externa para sentir bem comigo mesmo. Não preciso mais me encaixar em padrões de família perfeita. 

A herança do sucesso e do fracasso

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Com o tempo percebi que como que o contexto familiar interfere muito no sucesso e no fracasso de um indivíduo. Claro que cada um faz a sua própria história e que não se pode justificar o que fazemos por livre arbítrio nas costas de outras pessoas. Entretanto, o contexto a nossa volta faz com que parte da nossa personalidade seja moldada.

Parece que os ciclos são difíceis de quebrar e no decorrer dos séculos há uma tendência de que as famílias mais poderosas sejam as mesmas. Isso é um movimento que ocorre ao redor do mundo. Acredito que conheci muita gente com um padrão de vida melhor que o meu, então por muito tempo me senti inferiorizado. Talvez a diferença do meu padrão de vida com as pessoas que convivi em geral não seja muito diferente do meu. Mas sempre focamos a atenção naqueles que mais se destacam. Tudo a nossa volta só parece ser inspiração de sucesso. Ligamos a televisão, só tem pessoas famosas e muitos milionários. Abrimos uma revista, modelos com roupas caras e artistas com corpos perfeitos em suas mansões. Na internet, fotos lindas de lugares magníficos e de gente que vive maravilhosamente bem.

Para os pobres, que são a maioria. Se tem uma rotina de ônibus lotados e de bairros violentos. Se acontece algo em um bairro de classe alta, toda a polícia de mobiliza para poder chegar no local. Se um pobre trabalhador morre, ele é simplesmente esquecido e apagado no tempo. Para se sentir menos inferiorizados, vários pobres adquirem produtos considerados de classe alta para se sentirem mais poderosos e com mais status social. Muita gente com um emprego ruim e um trabalho ruim gasta praticamente toda renda que tem e que não tem para adquirir produtos e estar em certos lugares. Acontece que essas pessoas não têm condição financeira para ter esses tipos de ação.

O processo de herança fica mais evidente no momento de se ter um filho. Uma pessoa rica normalmente tem a vida resolvida no momento de ter um bebê. Mesmo se não tiver, pela família ter capital, ela consegue uma margem de manobra para poder se estabilizar. Claro que isso não acontece em todos os casos. Estou fazendo uma análise em um contexto mais macro. Uma pessoa pobre em muitos casos tem filhos mais cedo, a maioria não tem estrutura familiar e a educação muitas vezes não é priorizada. A vida da pessoa pobre se torna mais difícil com um bebê. A pobreza não permite a acumulação de capital, o pouco que a pessoa podia ter guardado, ela provavelmente gastou com um celular caro.

Vamos usar um exemplo de duas pessoas fictícias. Marion que é uma menina rica e Joana que é uma menina pobre. Marion depois de ter crescido pouco, foi para um colégio particular, que provavelmente a maioria dos estudantes têm um contexto financeiro parecido. A mãe de Joana teve que ficar horas na fila, no pior dos casos, ela já dormiu na fila para conseguir uma vaga na creche perto de casa para conseguir ir trabalhar. A creche pública tinha professores mal remunerados e desmotivados em dar aula. Alguns colegas da sala de Joana eram violentos, por vir de famílias que acontecia vários abusos domésticos. Ela aprendeu que deveria revidar para não ficar apanhando desses colegas.

Quando saíram da creche e foram para o ensino fundamental. Marion já tinha noção dos números e já conseguia ler alguma coisa. Joana, coitada, entrou no primeiro ano do fundamental sem saber praticamente nada. Com o passar dos anos, Marion estava preparada para o ensino médio com um conteúdo sólido, já Joana ia passar muitas dificuldades. No ensino médio, Marion foi para umas melhores escolas que tinha boa preparação para os exames das melhores universidades. No ensino médio, Joana foi para uma escola mediana, já não tinha tantos problemas que nem o fundamental, pois a maioria das piores pessoas não conseguiram sair de lá. Marion nunca viu uma amiga sua grávida, já a Joana já teve três amigas que ficaram grávidas. Na vida adulta, Marion virou engenheira e conseguiu um ótimo emprego em uma multinacional, quando já estava com a vida estabilizada decidiu ter filhos. Joana até que conseguiu entrar em faculdade, mas ela era ruim, pois não se preparou e não foi preparada para os exames. Joana infelizmente não conseguiu pagar a mensalidade e teve que parar, nesse meio tempo engravidou e por isso não teve como voltar os estudos.

Marion e Joana continuaram o clico das mães e da ascendência da família.

Um pouco da minha história

Minha mãe veio de um contexto familiar conturbado. Minha avó engravidou antes de casar, algo considerado um escândalo na época. Depois que ela teve a minha mãe, casou com um policial. Acredito que para não atrapalhar o casamento, minha avó fez ela morar com minha bisavó. Na pré-adolescência, minha avó foi buscar ela para morar com o padrasto e os irmãos. Minha mãe foi tipo uma escrava da casa, tendo que fazer de tudo.

Por ter vivido esse contexto, o correto seria que, ela depois de adulta, ter saído daquela situação, ir trabalhar em um lugar distante daquelas pessoas, juntar um dinheiro, fazer um curso superior ou um técnico e seguir em frente. Acontece que, a vida foi totalmente diferente. Ela encontrou um viciado em drogas (álcool sendo mais específico), engravidou com vinte anos apenas tendo ensino médio, acreditou nas promessas dele, foi enganada, teve que criar um filho sozinha (no caso, eu). O ciclo de pobreza não foi quebrado. Para piorar a situação, minha mãe é muito passiva na vida e deixa as pessoas a dominá-la com certa facilidade. Criou um filho sozinha e não entrou com um processo na justiça para pedir pensão! Tinha medo do meu pai ser preso, mesmo tendo sido maltratada (síndrome de Estocolmo). Até hoje, não sei porque motivo, ela não quis seguir com o processo. Quando estiver formado e trabalhando, com certeza, foi ver o que posso fazer na justiça.

Minha mãe por muito tempo, era uma pessoa raivosa e queria jogar o estresse dela em cima de mim. Mas sempre fui de personalidade forte, e não deixo ninguém montar em cima de mim. Sempre questionei ela, como conseguia viver daquele modo, sendo enganada pelas pessoas e aceitar certas situações.

Agora falando um pouco de mim. Na creche eu fui para uma escola particular, não era um colégio de elite, era daqueles mais em conta, se tratando de educação paga. Quando criança, minha mãe sempre tinha dois empregos e fazia alguns serviços por fora quando podia. Nessa creche já comecei a minha infância me sentido inferiorizado. Nunca comprei nada na cantina da escola, sempre levava meu pão com alguma coisa com muita vergonha de comer perto dos outros. Todo mundo tinha coisas legais e brinquedos legais. O destaque da minha sala, era uma garota que tinha um apontador que brilhava quando se apontava um lápis. No recreio nunca conversei com ninguém e ninguém conversava comigo. As pessoas se socializam na cantina ou brincando com aqueles brinquedos considerados os melhores da época. Como nunca tinha nada para oferecer, então ficava sozinho sentado na escada. Até hoje tenho dificuldade de socialização. Fazendo graduação de Economia, agora entendo mais sobre o processo social e como o dinheiro é importante para as relações humanas no capitalismo. E isso acontece desse cedo. Se eu tivesse algo para oferecer naquela época, provavelmente seria mais confiante e desse modo, toda a história em diante poderia ter sido diferente.

Depois desse período de creche, fui para uma escola pública no ensino fundamental. Morria de raiva por estar naquela turma. Muitos dos meus colegas não sabiam ler ou escrever, e tudo o que a professora passava eram coisas que eu já sabia. Poderia ter até pulado esse ano. Foi outro ano que praticamente não falei com ninguém. Aprendi que a socialização masculina se dava falando sobre futebol. E eu não sabia nada sobre futebol e não jogava futebol.

Quando ia para o segundo ano, aconteceu outra coisa chata. Minha mãe conheceu outro cara que tinha acabado de se separar, este homem não era de boa índole, mas como ela boba deixou se enganar de novo. Pouco tempo depois ela ficou grávida de novo. Mais um passo para afundar a nossa vida na pobreza. A situação estava tão difícil, que fui morar com a tia dela de novo. Quando era mais pequeno, tinha ido morar com minha tia-avó quando minha mãe saiu de Minas para arrumar um emprego no Espírito Santo.

Este momento da minha vida, em questão de contexto familiar, foi melhor. Pois tinha contato com mais gente. Por conta disso, me senti mais a vontade. A casa que morei era muito grande e com uma estrutura boa, era muito bom estar lá dentro. Mas na escola nada melhorei socialmente. Fui para a escola e me colocaram na turma das pessoas mais atrasadas. A professora era muito legal e simpática e sentia que ela se importava comigo. Depois de algumas semanas me mudaram de turma. Aquela nova professora, foi a pior professora que tive em toda a minha vida. Ela era muito mau humorada e tratava bem apenas dois alunos, talvez eram os mais riquinhos da sala. Tinha um menino muito encapetado na minha sala, ele tentava puxar assunto comigo, mas sempre o ignorei, sabia que não era o tipo de gente que deveria ter amizade. Ele uma vez me perturbando, a professora teve coragem de me chamar a atenção! Ela disse que nós dois estávamos atrapalhando a aula dela. Nessa escola não consegui nenhuma amizade também. Tinha um menino que adorava bater nas pessoas e ele tinha o cabelo muito parecido com o meu, cheio e todo cacheado. Uma vez ele bateu em um menino e este menino não parava de chorar. Ele chamou a coordenadora e falou que eu que tinha batido nele! A mulher estava toda descontrolada gritando comigo, puxou o meu braço com força falando para eu pedir desculpa, eu disse que não tinha feito nada, no final de tudo tive que pedir desculpa por algo que não tinha feito para a mulher me soltar. Falei para professora o que tinha ocorrido, ela não fez nada. Na cabeça dela, ela ter pensado: “Dane-se”. Se isso tivesse acontecido com a cabeça que tenho hoje, tinha colocado a boca no trombone e ter gritado para o mundo. Nesse mesmo ano sofri um acidente no trânsito. E tinha gastado um final de semana para fazer uma história em quadrinhos para a professora, ela pegou a história, rasgou e jogou no lixo.

Depois desse ano fui morar com minha mãe de novo. O cara já tinha largado ela. Nessa época ela estava fazendo faculdade, pois tinha conseguido um financiamento. Uma amiga da faculdade vendo a situação dela, se solidarizou e fomos morar na casa dessa amiga. No terceiro e o quarto ano estudei na mesma escola, foi a primeira vez que fiz amizades. Foram anos muito bons. Infelizmente depois não consegui manter essas amizades, grande parte da minha turma continuou estudando de manhã na outra escola que era de quinto ao nono ano. Implorava para minha mãe para continuar estudando de manhã, pois desse modo poderia continuar com meus amigos. Mas não teve como, pois fui obrigado a levar o meu irmão no colégio, e só tinha vaga a tarde para ele. Aí tinha que buscá-lo e esperar ele sair para irmos para casa. Nesse meio tempo, minha mãe arrumou um emprego melhor e fomos morar em uma kitnet em outro bairro. Infelizmente por causa do tempo, essas amizades que tive foram diluindo.

Mas tinha feito outras duas grandes (falsas) amizades. No final das contas essas pessoas não se importavam muito comigo. Uma pessoa queria me inferiorizar distorcendo as coisas que falava e outro garoto não tenho mais ideia do seu paradeiro. O que considerava o meu melhor amigo (o fofoqueiro manipulador), agora ele é evangélico e acredito que deva ter mudado de personalidade. Tenho ele nas minhas redes sociais, quem sabe se um dia voltamos a falar.

Retirando os problemas de escola, a vida em casa estava melhorando. Estávamos comendo melhor e vivendo mais confortavelmente. Quando finalmente, pensei que em degrau por degrau tudo estava indo para melhor, minha mãe decide voltar com o meu pai, depois de tantos anos. Foram os piores anos da minha vida. O ciclo da pobreza girava com a maior força o possível. Ele fazia vexame na rua, bebia e não deixava ninguém dormir, cada vez estava mais violento. Ele nunca ajudou com um centavo (literalmente) com a minha educação. Minha mãe tem aquele sonho de ter uma família e tal, mas ela nunca foi muito crítica e infelizmente não escolheu as melhores pessoas para conviver depois de tantos anos de sofrimento como “escrava”.

Nesses anos pensei em morar com minha tia-avó e nunca mais voltar a ver a minha mãe. Acredito que na adolescência teria sido a minha melhor opção ter feito isso, teria evitado muito sofrimento na minha vida. Pensei em suicídio e por muito tempo só sabia chorar. Depois de tanto ódio e tristeza, meu desempenho escolar caiu muito e sinto o efeito disso até hoje.

Quando minha mãe viu que meu pai estava ficando violento demais e que a situação ia sair do controle eles decidiram separar (o que aconteceu de fato, foi que ela despachou ele, e ele ficou fazendo chantagem emocional). Quando estava acabando o ensino fundamental, minha mãe tinha passado em um concurso público para uma cidade no interior e viemos morar aqui. Por algum motivo, ele tinha o número aqui de casa. Tivemos uma briga feia aqui em casa por causa disso. Depois que a linha telefônica foi desligada, acredito que ele nunca mais teve contato conosco. Nenhum parente por parte paterna ligou para mim e perguntou como eu estava. Apenas ligava para minha mãe, falando que tinha que dar uma chance para o meu pai e blá blá blá. Ninguém nunca ligou perguntando se eu precisava de um caderno e um lápis.

Agora minha mãe está mais empenhada na igreja e nossa relação melhorou muito. Ela está mais calma e mais sábia, mas ainda não admite muito que discorde dela. Sinto que nunca vamos ter um certo nível de intimidade como muitas mães e filhos que tiveram uma vida mais saudável. Eu e meu irmão é certo que vamos nos afastar, não temos nada haver um com o outro.

Nesse momento estou na universidade. Deus, o Universo, a sorte, não sei no que você acredita, me deu outra chance de sair da pobreza e agora vejo que dádiva que tenho acesso. Vou agarrar esta oportunidade com toda a minha força e não deixá-la escapar. Minha mãe já está reclamando de despesa, pois o que ganho não é suficiente para me manter. Por isso vou adiantar o que der para poder trabalhar e finalmente consegui minha independência total.

Se eu tiver filhos, espero passar uma herança diferente para eles e deixá-los bem longe do meu passado. Não conseguirei dormir fazendo outras pessoas dependentes de mim pagarem por meus erros. Herança para mim é isso, viver de acordo com as ações passadas de outras pessoas. Sou grato pelo trabalho da minha mãe, só não sou grato por algumas atitudes que ela tomou na vida. Odeio o meu pai e desejo a sua morte (sendo totalmente sincero).

Para o próximo texto, quero falar um pouco sobre o que é ser cotista na universidade e sobre o fanatismo de alguns colegas.