Primeira vez indo em um evento de K-pop – Vitória-ES

No dia 22 de julho fui no evento Espírito Kpop no Parque Moscoso. Sai um pouco mais cedo para poder chegar a tempo. Acabei parando em outra cidade, sim, sou perdido a este ponto. Depois finalmente consegui chegar no centro da cidade para participar no evento. Quando cheguei, bateu um sentimento ruim, não me senti muito a vontade. A média de idade das pessoas do local era de uns 15 anos, me senti muito velho estando ali. 

Todo mundo estava com seus grupinhos, eu estava lá sozinho olhando para o nada. Dos meus amigos só eu gosto de K-pop, então ninguém ia sentir a vontade de me acompanhar. Tinha bastante gente, acredito que deveria estar ali umas 300 pessoas. Comprei duas fotinhas, uma da Lisa integrante da banda BlackPink e outra da Tiffany da Girl Generation, cada uma foi R$1,50. 

Fiquei olhando as coisas que o povo estava vendendo, vi umas pessoas fazendo coreografias na frente do palco. A partir de certo horário começou a ter um campeonato de dança, vi os primeiros grupos, depois comi um pastel em uma lanchonete perto e fui embora. Pensava que ia ter pouca gente, levei até um lanche do piquenique que pensei que ia rolar. 

Nesses momentos que queria ser extrovertido, tinha tanta gente legal para conhecer, mas tenho muita vergonha de chegar do nada em alguém e começar uma conversa. Agora que conheço mais ou menos as pessoas que vão nos eventos, quero pelo menos tentar iniciar uma aproximação. 

Depois que acabar o semestre e sair os resultados, vou estar com a cabeça mais tranquila e vou conseguir sair com menos preocupação na mente. Uma coisa que não curti é que senti um clima de inveja e competição. Tenho que estar com uma energia bem positiva para não absorver estas energias ruins. Algo que achei estranho, quando tocava as músicas mais famosas, tinha algumas pessoas que começavam a gritar, não sei se me acostumo com isso. Gosto de espaço e ouvir a música sem interferências (sem gente gritando perto de mim). 

Conhecendo um pouco mais a zona rural de Montanha

Eu não consegui carona para ir em Montanha, tive que comprar passagem e ir de ônibus. Não consegui passagem depois da aula no dia 20, pois todos os ônibus estavam lotados. Sai da fila e já estava indo para o ponto de ônibus, pensei melhor, voltei para a fila e comprei a passagem para o próximo dia.

Peguei o ônibus e cheguei na cidade de madrugada. Acordei, me arrumei, pois minha mãe disse que íamos para a zona rural. Uma amiga dela mudou da cidade para uma fazenda. O terreno do proprietário daquela terra era enorme. Aceitei a aventura de subir uma pedra e ver a cidade de Montanha por cima. Passamos por um caminho onde não tinha vacas. Parece que houve um incêndio na pedra que subimos e a vegetação estava renascendo. 

Eu e meu irmão estávamos de bermuda e chinelo, não são os melhores trajes para adentrar numa região com mato. Nós ficamos com as pernas coçando e o braço dele ficou vermelho. Tivemos que tomar muito cuidado quando chegamos na pedra, pois lá tinha muitos cactos, e qualquer vacilo poderíamos ficar cheio de espinhos. O rapaz que nos guiou mostrou umas pedras que de acordo com ela já era território de Minas Gerais.  

Ficamos lá até a noite. Minha mãe pensou que os trabalhadores daquela fazenda iam embora no final da tarde para a cidade, mas não sei o que aconteceu, que não conseguimos ir embora. Íamos no outro dia, ia ficar uma situação muito chata, pois não tínhamos levados roupas, escova de dente, nem nada. 

É interessante ver como que dá a configuração hierárquica da zona rural. As relações são mais evidentes do que na cidade. Lá tinha a casa do dono da fazenda, toda murada e enorme. E no mesmo terreno, morava seus funcionários, com casas simples.

 

Minha vacina contra a febre amarela e o desrespeito do poder público

Na UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) houve uma campanha para ajudar a imunizar mais pessoas contra a febre amarela. Minha mãe estava muito preocupada comigo e disse para ir vacinar.

Uma das coisas que mais odeio na vida é enfrentar fila. Então acordei bem cedo para ser possível ser vacinado. Já tinha agendado um horário em um posto em um bairro aqui em Vitória, é uma vergonha que o posto da região onde moro não oferecer a vacina. 

O mutirão começaria às 8 da manhã, acordei às 4, fiquei enrolando para acordar. Me arrumei, peguei umas roupas no varal e cheguei lá por volta de 4:50. Levei um livro e li parte dele até começaram a distribuir as senhas. Fiquei na posição 88 na fila. Eles começaram a vacinação por volta das 7:30. 

A data que iria ser atendido seria 17/03/2017, mas consegui ser imunizado no dia 04/03/2017. As horas foram passando e foi chegando mais e mais pessoas. Acredito que a fila deu a volta na universidade. Parecia um campo de concentração. Foi uma experiência muito assustadora. Estes tipos de descaso mostra que estou vivendo no subdesenvolvimento. 

Pelo jeito algumas pessoas madrugaram com medo de não serem atendidas. É uma vergonha passar por este tipo de situação. 

Nos jornais só passa notícias de pessoas que estão ficando horas e mais horas em filas na tentativa de serem vacinadas. Houve até um caso de bandidos que invadiram uma unidade de saúde, obrigando os profissionais ali presente a vaciná-los. 

A população tem que estar consciente de uma coisa, há a vacina contra a febre amarela, mas ainda tem o problema de outras doenças não tem vacinas disponibilizadas pelo Estado. Vários vidas se perderam por causa de doenças que podem ser evitadas causa uma revolta muito grande dentro de mim. O meu maior desejo é morar em uma sociedade onde possui uma civilização, pois o Brasil é um caso muito sério de incompetência. 

Sempre é bom se preparar para o pior

Temos a sensação que tragédias nunca vão acontecer conosco. Vemos sendo noticiado vários crimes sendo cometidos e muitas vezes ficamos apáticos. Algumas coisas parecem muito distante da nossa realidade. A crise de segurança que vivo no Espírito Santo mostrou que não é paranoia se prevenir. Infelizmente minha família ainda não tem a mentalidade de sobrevivência, estou tentando convencê-los que é necessário se preparar para o pior. 

Está mais evidente que o futuro pode ocorrer muita coisa, estamos em uma época muito instável onde o amanhã não é garantido. Nosso sistema econômico é muito complexo e difícil de entender, podemos ter crises em qualquer momento. Devemos evitar acontecer algum problema para tentar se preparar para o pior.

Na cultura brasileira não é dado a devida atenção para a prevenção, então muita gente sempre sofre quando algum evento ocorre. Por não ter o hábito de armazenar, no desemprego, a pessoa pode até passar fome e colocar a família na mesma situação. A falta de prevenção da população é de dinheiro a comida.  

Por termos uma falsa de sensação que algo nos protege, muita gente apenas vive como tivesse segurança total. O Estado (principalmente os mais frágeis como o Brasil) não tem o poder total de nos proteger. Uma crise anunciada para as próximas décadas é a crise da previdência, e mesmo assim, o assunto é ignorado pela maioria da população, e o pior, são poucos que se preparam para a evidente crise! Algo preocupante é a pressão pela demanda por alimentos e água, um problema que de certo modo já afeta muita gente. Mesmo tendo todos os sinais evidentes, muitos preferem fingir que não enxergam a realidade!

Aprendi com todo este caos que não importa a opinião dos outros e que possa parecer um doido aos olhos da sociedade. O importante é se prevenir para poder ter as melhores armas, desse modo passar certas dificuldades fica menos penoso. 

Conversa elitista que não estou acostumado e ES ainda no Caos

Hoje de manhã fui jogar o lixo fora na lixeira do prédio, quando estava voltando para a portaria do prédio, chegou uma mulher e brigou comigo. Ela se apresentou, dizendo que era a dona do prédio e disse para não jogar o lixo naquele horário, pois o caminhão do lixo passava mais cedo. Se quisesse poderia jogar o lixo na hora que a pizzaria abrisse ou antes das oito horas da manhã. Não entendi muita a lógica de tudo isso, sendo que não estava jogando as coisas na rua, mas no local apropriado. Nesse momento apenas acatei o que ela disse para não gerar conflito desnecessário.

Hoje doei uma televisão que uma senhora que estudou em algumas aulas comigo me deu. Avisei ela e coloquei anúncios no Facebook. Pretendo muito mudar mês que vem para algum lugar mobiliado, já quis começar a limpar o espaço. Estou esperando confirmação em alguma república. Quando desci para levar a televisão, a senhora dona do prédio começou a puxar assunto comigo. Ela perguntou o que fazia. Disse que fazia Economia. Aí ela começou a contar sobre os filhos dela. Depois falou que uma filha morava nos Estados Unidos, foi falando sobre as cidades da Flórida, parecia muito familiarizada com o estado. No final de tudo, acho que ela criou empatia comigo. O assunto foi para certa direção que para ela pode ter sido algo bem natural, mas para mim é de uma realidade bem distante.

Pelo jeito aqui na capital as coisas estão ficando mais tranquilas, não se pode dizer o mesmo do interior do Espírito Santo. As forças nacionais vão auxiliar para que o transporte público volte a funcionar. Aqui perto do aeroporto o clima de segurança está sendo recuperado, talvez eles estão para o lado de cá para evitar que aconteça algo com algum avião. O clima do caos já está em vigor por uma semana.  Hoje as pessoas se sentiram mais tranquilizadas e foram para as ruas pagar as contas. As filas de vários estabelecimentos estão quilométricas.

Pelo jeito esta situação da crise na segurança pública vai ter muitos episódios ainda.