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Porque queremos olhos azuis? Privilégios da branquitude

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No Brasil vivemos uma hierarquia racial e não tem como negar isso. Vemos o racismo sempre no outro, mas nunca em nós mesmos.

A partir dessa palestra, me vi pensando e comecei a mapear o processo de racismo que vi e que foi sendo construído dentro de mim. Sou filho de família negra, com mãe negra e também sou negro, mas a falta de representatividade a minha volta sempre fez com que eu não desejasse ser vinculado em uma identidade negra. A pesquisadora mostrou que a branquitude possui privilégio e isso está presente na minha vida desde sempre. 

Tudo começa na escola, já vemos uma hierarquia a partir daí. Na maioria das vezes, os níveis mais altos das instituições de ensino são ocupados por pessoas brancas, até hoje nunca vi um diretor ou diretora de escola que fosse negro ou negra. Raras as vezes que vi professores negros e praticamente não tive aulas com professores com a pele mais escura. A maioria dos funcionários da cozinha e da limpeza são pessoas negras. Isso já deixa uma impressão na mente das crianças de como a sociedade é organizada. 

Ainda na escola, aprendi que nome europeus são mais privilegiados e que a história da Europa se torna muito evidente durante o período do ensino básico. Se a pessoa for negra e tiver um nome de origem europeia, as pessoas podem começar a olhar aquele indivíduo de outra maneira, pois ela pode ter um traço caucasiano. Isso já são indícios do poder que a branquitude tem.

As pessoas mais cobiçadas da sala, na maioria das vezes são os brancos. Em muitas turmas em que tive aula vi que algumas pessoas brancas não se enturmava com pessoas negras e vice-versa. Aprendi que pessoas brancas são mais bem tratadas, possuem mais oportunidades de empregos, de sucesso, de fama e que são referência de beleza. 

As pessoas desejam ter olhos azuis ou verdes. É cobiçado ter os cabelos loiros ou ruivos, a igreja que frequento quase todas as mulheres pintam o cabelo de loiro, é uma coisa surpreendente. Muitas pessoas negras não aceitam terem cabelos crespos, pois isso é visto como feio pela sociedade. 

Aprendi que o racismo é transmitido culturalmente e vai passando de geração para geração. Nós somos responsáveis por manter esse sistema. Muitos grupos negros pensam que a maioria das pessoas brancas são opressoras, mas não vejo dessa forma. Qualquer forma de preconceito é mantido por uma sociedade como um todo. 

Uma forma de minimizar e destruir o racismo e o preconceito é a representatividade. Quando as crianças veem como é o processo social, elas crescerão e verão aquele sistema como natural. Devemos ter mais negros em outras posições além dos de baixa qualificação. A luta deve ser  para haver mais inclusão de negros e seguir profissões como professores, diretores, engenheiros, reitores, artistas, modelos, escritores e etc. Isso não se aplica apenas aos afrodescendentes, mas para qualquer grupo que de alguma maneira é inferiorizado. 

A educação é uma das melhores formas da sociedade se tornar mais homogênea e uma arma poderosa para dissipar a ignorância e agregar sabedoria. 

Ramon Cristian

Estudo Ciências Econômicas na UFES. Sou apaixonado pela cultura asiática. Pretendo ensinar, mas sem deixar o espírito empreendedor de lado. Quero me especializar na área financeira ou desenvolvimento econômico. Sou fascinado por todos os temas que mostram a expressão humana, como arte, literatura, cultura e moda.