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Como era estagiar no INSS

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Trabalhar em um serviço público foi importante para o meu desenvolvimento profissional e isso me ajudou a direcionar para uma carreira. O INSS me ajudou a ter uma visão mais ampla sobre o que é um projeto de nação e quais são as funções de um governo. Este texto pode ofender algumas pessoas, então se por algum motivo se sente incomodado por ouvir algum comentário negativo sobre o governo, funcionamento de estatais ou algo assim, não continue a leitura. 

Vou contar um pouco da minha história dentro da organização. Primeiramente passei por um processo seletivo, onde tivemos que passar por um teste escrito e uma entrevista. Tinha ficado em segundo lugar, fiquei muito triste por não ter passado, mas por algum motivo, a pessoa que ficou em primeiro pediu para sair e eu assumi o seu lugar. 

Nesta época estudava em uma escola estadual, ainda não tinha terminado de construir o IFES do município de Montanha, isso se deu quando já estava no meu terceiro ano, não valeria a pena começar o ensino médio tudo de novo. Então esta fase da minha adolescência foi preenchida pela escola regular e meu estágio no INSS.

No começo pareceu bem complicado, pois tinha muita senha para gravar e atividades para fazer. Mas em pouco tempo consegui aprender tudo e executar todas as atividades. Minha relação com a maioria das pessoas era boa, e nunca tive problema sério com ninguém.  

Tinha dias que a agência era muito cheia, tão cheia que não cabia ninguém e outras era super vazia. Nesses momentos de ócio conversava com os vigilantes e a senhora que limpava a agência ou fazia algum curso disponível para os funcionários e estagiários a partir de uma plataforma online. Nós não tínhamos acessoa internet, apenas intranet. 

Eu ficava a cargo de fazer a triagem no atendimento, de fazer alguns serviços simples e arquivar processos. Arquivar processos era o pior pesadelo que poderia ter, pois tinha que mexer com documentos empoeirados de vários anos atrás. Quando um processo sumia, tinha que olhar todas as caixas esporadicamente, algumas vezes tentavam me culpar de sumiços de documentos, mas nunca deixei ninguém subir em cima de mim. Era um pouco desorganizado a parte de arquivo, o espaço físico do INSS da cidade também não ajudava a ter uma gestão de arquivos melhor. Não poderia fazer muita coisa a respeito, eu era um simples estagiário de ensino médio, não um arquivista. 

A parte de atendimento, sempre acontecia vários padrões. Acredito que 30% do atendimento eram sempre as mesmas pessoas que iam toda semana! Estas pessoas atrapalham a vida de quem realmente precisava resolver coisas realmente importantes. Os dias mais cheios são os dias de perícia médica. Dica:

Ligue para a agência e pergunte quais são os dias de perícia médica, se houver dias que não possui este tipo de atendimento, vai ser um dos melhores momentos para pode ir resolver alguma coisa.

Depois de certo horário em dias que não possui perícia, a agência ficava completamente vazia, claro que isso não deve acontecer em cidades grandes, mas o fluxo de pessoas deve ser bem menor. 

Sempre tinha pessoas que morriam de raiva quando alguém era chamado primeiro e vinham brigar comigo, aí tinha que explicar que as pessoas com agendamento têm prioridade

Este ponto que vou colocar agora é um pouco delicado. Isso não é uma verdade absoluta, apenas uma impressão que tenho. Sentia que quase todos os funcionários do INSS odiavam os serviço, odiavam atender o público e faziam o máximo para enrolar nas atividades. Conheci gente que fazia de tudo para ter dias de folga, como doar sangue e ir acumulando horas durante o mês (algo que acho absurdo). Um assunto em voga entre eles era qual seria o próximo concurso, parece que a vida de tais pessoas eram apenas fazer concursos, não que isso seja errado. Mas acredito que se deve zelar pelo trabalho. A pessoa ganha um determinado salário para realizar alguma atividade, e esta deve ser feita. 

O perito é uma pessoa bem classista, ele via as outras pessoas como um tipo de sub-raça. Ele se sentia superior, por acreditar que ter descendência europeia é a maior dádiva e por causa da sua ascendência familiar. Um tipo de visão de uma pessoa muito fechada. Ele também é fazendeiro e os seus funcionários eram como se fossem escravos ou algo do gênero. Ele chegava no horário que queria e ia embora na hora que queria e ficava por isso mesmo. O gerente a agência não fazia nada e não falava nada. Não posso afirma com certeza, mas tinha gente que morria de inveja do perito, por causa do salário que ganhava e das regalias que possuía. 

O gerente era uma pessoa muito tranquila, mas como um ser humano tinha os seus defeitos. Percebíamos que ele não tinha muita paciência para conversar com as pessoas mais humildes e era sempre comparado com o gerente antigo, coisa que ele odiava.

Os melhores momentos de trabalhar no INSS era na hora de ir aos Correios e retirar cópia de processo, pois saía um pouco da agência e tomava um ar. Sei que muita gente não acredita nisso, o INSS tem uma energia “pesada” e era meio sufocante ficar lá por muito tempo.  

O momento mais tenso que passei, foi quando um homem em estado alterado, foi com a intenção de matar o perito. Ele quebrou uns equipamentos. Esconderam o perito dentro do banheiro. Só sei que quem estava com a perna quebrada correu, quem estava de muleta, não precisava dela mais para correr e todo mundo foi para fora da agência. Ainda bem que não ocorreu nada de grave com ninguém. 

Meu tempo do INSS me proporcionou muitas histórias para a vida toda. Passei por momentos bons e ruins e foi uma experiência incrível que vou levar para a vida. 

 

Ramon Cristian

Estudo Ciências Econômicas na UFES. Sou apaixonado pela cultura asiática. Pretendo ensinar, mas sem deixar o espírito empreendedor de lado. Quero me especializar na área financeira ou desenvolvimento econômico. Sou fascinado por todos os temas que mostram a expressão humana, como arte, literatura, cultura e moda.